As chuvas que provocam estragos no Rio Grande do Sul vão prejudicar drasticamente o agronegócio e afetar todo o país com a escassez e alta nos preços de produtos essenciais à mesa do brasileiro.
As enchentes afetaram a produção agropecuária, causando a morte de rebanhos, perdas de lavouras e estragos à semeadura de pastagens no estado sulino.
Antes da tragédia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimava que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no Rio Grande do Sul cresceria 46,4% em 2024, em relação a 2023, passando a responder por 13,3% do total nacional, bem próximo da produção do Paraná.
O Rio Grande do Sul responde por 70% da produção nacional do arroz e, quanto à soja, responde por 8,4% do país, em 2023 e, com o crescimento estimado para este ano, passaria a representar por 14,8%, superado apenas pelo estado do Mato Grosso.
Em 2023, o estado ocupou a terceira colocação no abate de aves e suínos e foi o quarto maior produtor de ovos e o quinto na produção de leite.
Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), salienta que os impactos foram diferentes em cada região, como por exemplo o litoral, onde houve perda nas lavouras de soja e alagamentos de silos de arroz.
“O litoral foi seriamente impactado na cultura da soja, que ficou embaixo d’água. Isso é perda total. Mas já pegou bastante adiantada a colheita do arroz, acima de 70%, 80%, o que colocou o arroz a salvo, a não ser por algum silo que ficou com 1 metro de água em sua base.
Nos municípios da chamada Quarta Colônia – Santa Maria e Lajeado, a enchente levou praticamente tudo dos produtores. Não só a possível colheita, como também o maquinário e os animais”.
No norte do estado, os danos à infraestrutura impactaram fortemente, causando problemas no escoamento de produtos derivados de frango, suínos e bovinos, e também no fornecimento de ração a esses animais.
Gedeão ressalta: “A essa altura do campeonato, nessa região a água já baixou, mas o setor está paralizado, com criatórios isolados, sem possibilidade de levar a ração até eles. Os produtores de leite não conseguem chegar à indústria, às vezes essa indústria está submersa”.
Claudinei Baldissera, diretor técnico da Empresa de Extensão Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-RS), afirmou que “a área cultivada de soja foi de 6,68 milhões de hectare, o que significa dizer que ainda temos 1,6 milhão de hectares para serem colhidos. Provavelmente muitas lavouras nem serão colhidas. E a qualidade do grão daquelas lavouras que será possível colher certamente será muito baixa, com valor comercial prejudicado”.
Apesar do cenário adverso e o peso do Rio Grande do Sul na agropecuária nacional, nem Pereira, nem Baldissera acreditam que haverá grande impacto no abastecimento de produtos alimentícios para o resto do país, “pelo tamanho do agro no Brasil, pelo tanto que se cultiva, não acredito que haverá impacto severo, mas pode haver impacto no fornecimento de arroz e, em curto prazo, da carne de frango”.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se reuniu nesta terça-feira (7), por videoconferência com 111 sindicatos rurais e a Farsul, com a federação gaúcha apresentando algumas demandas para ajudar o setor agropecuário do estado a lidar com os estragos, como a prorrogação das parcelas de custeio, investimento e comercialização, crédito para a reconstrução da área produtiva e para permitir redução da alavancagem com os credores, com juros mais baixos e simplificados.
O Ministério da Agricultura anunciou que importará até 1 milhão de toneladas de arroz para abastecer pequenos mercados nas periferias das cidades e nas regiões Norte e Nordeste, evitando aumento de preços em função de dificuldades no escoamento e perdas nas produções do cereal.

