As últimas pesquisas divulgadas no Brasil, desde a semana passada, como a do Instituto Paraná Pesquisas, apontando queda na aprovação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a divulgação na sexta-feira (14) da pesquisa DataFolha, indicando que apenas 24% dos eleitores consideram ótimo ou bom o governo petista, conforme reportagem de Antônio Temóteo, da revista Exame, causam desânimo ao presidente e seus assessores mais próximos no Palácio do Planalto.
Mesmo tendo trocado recentemente o comando da Secretaria de Comunicação (Secom), então sob gestão de Paulo Pimenta, pelo seu marqueteiro de campanha, Sidônio Palmeira, os resultados não têm se revelado favoráveis ao executivo.
Um auxiliar de Lula assim traduziu o momento: “O fato é que nunca antes na história da política recente, o PT teve menos de um terço do eleitorado. O resultado mostra que se não houver uma guinada, o governo acabou precocemente”.
Se não reverter essa queda na aprovação popular, a Lula não restará outra opção senão a de não concorrer à reeleição em 2026, é o que avaliam membros de sua equipe.
Segundo Antônio Temóteo, essas mesma equipe encontrou oito pontos que explicam os erros e problemas da gestão petista.
Um ministro petista define o quadro atual como “horrível”. Outro “figurão” do partido classifica os números como “assustadores”.
Os oito pontos relacionados na queda da aprovação de Lula:
- O eleitor esperava mais do governo: a falta de uma marca ecepcionou, principalmente o eleitor pobre do Nordeste;
- Crises do PIX e dos preços dos alimentos: a repercussão negativa foi colocada na conta de Lula pela opinião popular;
- Insatisfação da classe média que, assim como os mais pobres, não tem percebido uma melhora econômica e também é impactada pela inflação, que reduz o poder de compra;
- A comunicação ruim do governo: a avaliação entre auxiliares de Lula é de que o presidente mantém o discurso de fomentar o antagonismo entre patrão e trabalhador, enquanto o brasileiro passou a ter outros anseios;
- O governo perde de goleada nas redes sociais, enquanto a direita as domina. O governo não sabe navegar nesse “mar digital”;
- A relação de Lula com a classe política piorou: entre os seus assessores, a avaliação é de que ele não evoluiu e acha que pode fazer política como nos dois primeiro mandatos, quando a liberação de emendas garantia a votação das pautas de interesse do governo;
- Ministros palacianos enfraquecidos: para assessores de Lula, falta no Palácio do Planalto alguém que tenha proximidade com o presidente para dizer “algumas verdades” a ele, como diziam Luiz Gushiken, José Genoíno ou Antônio Palocci em seus mandatos anteriores;
- A equipe de ministros é fraca: Com exceção do ministro dos Transportes, Renan Filho, considerado um “tocador de obras”, e do ministro da Educação, Camilo Santana, que criou o programa Pé de Meia, a avaliação é de que a equipe de ministros não entrega resultados satisfatórios para alavancar a popularidade de Lula.

