Momentos de tensão entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento sobre a manutenção da prisão de familiares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornaram públicas a disputa que até então era restrita ao ambiente da Corte.
O fato aconteceu na semana passada, e o episódio evidenciou divergências entre a condução das investigações do caso Master reforçando a percepção de um tribunal dividido em uma grave crise institucional.
No decorrer de uma sessão, Mendonça reagiu às críticas feitas por Gilmar Mendes à condução das investigações e afirmou que recusou uma “delação seletiva” de Vorcaro e, posteriormente, declarou que “perderam o pudor”, aludindo ao que interpretou como tentativas de interferência no curso das apurações. Mendonça também rebateu comparações do caso por Gilmar Mendes, afirmando que o caso do Banco Master “não é a Lava Jato”.
Gilmar criticou os “excessos investigativos e questionou a linha adotada no inquérito”.
Para integrantes do Congresso, a tensa divergência entre os ministros expõe de forma mais explícita a divisão interna que se aprofundou na Corte desde o avanço das investigações do caso Banco Master.
Já nos bastidores do STF, interlocutores avaliam que a sucessão das divergências públicas entre os ministros contribuiu para aumentar a resistência à avaliação do nome de Jorge Messias ao Supremo.
Outro possível impacto se deve ao ministro Alexandre de Moraes, que tem forte influência entre seus colegas e, nos bastidores, se opor à chegada de Messias ao Tribunal.
Para ministros ouvidos reservadamente os integrantes do
Congresso e do governo, o confronto entre ambos representou mais do que uma divergência jurídica, com a troca de acusações evidenciando disputas sobre o limite das investigações e sobre o papel do STF diante de um escândalo que já alcança empresários, políticos e autoridades dos três Poderes.
*Fonte: Correio Braziliense

