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Com pressão de municípios, deputados podem votar hoje medida que dobraria royalty da mineração

Caravanas de diversos municípios de Minas Gerais desembarcaram nesta terça-feira, 21 de novembro, no Congresso Federal, em Brasília para pressionar os deputados a votarem ainda hoje as medidas provisórias que alteram o cenário da mineração no país. A principal meta é conseguir a elevação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) dos atuais 2% sobre o faturamento líquido das empresas para 4% sobre o faturamento bruto.

Vereadores e secretários da Prefeitura de Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo e Conceição do Mato Dentro estão entre os manifestantes. O prefeito itabirano Ronaldo Magalhães (PTB) viaja à capital federal nesta quarta-feira, 22, dentro de um cronograma estabelecido pela Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig). O presidente da entidade, Vitor Penido, prefeito de Nova Lima, e o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), são dois dos prefeitos presentes no movimento em Brasília.


Vereadores de Itabira conversam com presidente da Amig, Vitor Penido                                             

A expectativa dos representantes dos municípios é de que as três medidas provisórias editadas pelo presidente Michel Temer (PMDB) sejam votadas a partir desta tarde, quando os deputados abrem a pauta do dia. A mais polêmica é a 789/2017, que altera a alíquota da Cfem. Ela também redistribui os royalties, concedendo 60% para os municípios; 20% para os Estados, e 10% para a União. Municípios não-produtores, mas impactados, terão direito a 10%. Mas para que a votação ocorra definitivamente, é preciso vencer o lobby das mineradoras.

“Todos nós sabemos que esta Casa é política e, infelizmente, só funciona à base de pressão. Eu falo isso porque estive aqui por oito anos, fui deputado federal duas vezes. A gente lamenta que exista alguns parlamentares de Minas Gerais, que tinham a obrigação de estar nos atendendo, que estão simplesmente escondidos e com compromissos com as mineradoras”, afirmou o presidente da Amig, Vitor Penido.

Com a pressão forte das empresas sobre os deputados, o presidente da entidade já admite não fechar a alíquota nos 4%, como propõe o texto do deputado Marcus Pestana (PSDB/MG), relator da comissão mista formada para analisar as MPs. “A expectativa nossa é de alcançar, pelo menos, os 3,5% sobre o faturamento bruto, para dar condições de os municípios se prepararem para o momento de exaustão do minério”, comenta.


Vereadores de Conceição do Mato Dentro também estão em Brasília                                                 

Receita cresceria

Apesar da expectativa do presidente da Amig em fechar a alíquota em até 3,5%, a conversa entre os deputados é de que o índice feche em 3% sobre o faturamento bruto das empresas. Ainda assim a proposta é considerada melhor que a estipulada na MP editada por Temer, de se ter um escalonamento entre 2% e 4% dependendo do valor de mercado do minério de ferro.

De acordo com o secretário municipal de Fazenda, Marcos Alvarenga, em caso de a Cfem fechar em 4%, a receita de Itabira com a compensação subiria dos atuais R$ 48 milhões para R$ 88 milhões por ano. Em caso dos 3%, a receita iria para R$ 66 milhões. Para o presidente da Câmara, Neidson Freitas (PP), os números por si só justificam a missão em Brasília.

“Vai aumentar significativamente a receita da nossa cidade. Nós sabemos que a mineração tem prazo para acabar e nós precisamos nos estruturar. É um recurso que pode ser investindo na Unifei, que é algo que com certeza vai dar continuidade ao futuro itabirano, e também em outras ações. A nossa cidade hoje tem uma dívida muito grande e essa mudança aumenta consideravelmente o que a gente recebe de Cfem”, comentou o parlamentar.

Já segundo o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos, a receita mensal do município com a Cfem pode saltar dos R$ 3 milhões para R$ 6 milhões, o que representaria algo em torno de R$ 72 milhões por ano, no caso dos 4% sobre o faturamento bruto.  “É uma luta que já se arrasta há anos. Hoje é um dia crucial para todos os municípios mineradores. Tenho certeza que vai ser votada a MP hoje, o que daria um alívio muito grande para os municípios da região. Lembrando que o novo texto não beneficia apenas os municípios mineradores, mas também aqueles que são impactados por ferrovias e minerodutos, por exemplo. A expectativa é que a gente saia daqui com a votação dessas medidas”, afirmou.


Onze vereadores de Itabira, além de secretários municipais, estão em Brasília para encorpar movimento       

Desigual

O presidente da Amig, Vitor Penido, diz que aumentar a alíquota da Cfem é reduzir a desigualdade que existe de outros setores da economia para a mineração. Além de se promover justiça com os municípios impactados tanto ambientalmente quanto socialmente. “A partir do momento que a empresa deixa de explorar, o município arca com as consequências”, afirma.

“O que o Brasil tem que entender é que no país existe uma cobrança excessiva de impostos em diversas áreas, como a indústria, mas para a mineração não. A mineração é praticamente isenta. Ela tem apenas uma Cfem, que eu espero que seja de 4%, e mais o imposto de renda. O lucro da Vale neste último trimestre superou R$ 7,5 bilhões. É isso que os parlamentares precisam entender”, apontou o prefeito de Nova Lima. “Não se trata de aumento de carga tributária para a mineração, muito pelo contrário. É apenas uma compensação que é feita para cobrir os impactos provocados na cidade. Os problemas são sérios e a gente precisa estar preparado para o futuro”, completou. 

Veja o que falou o deputado Marcus Pestana, relator da MP do royalty da mineração: 

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