Os estoques dos postos de combustíveis em Itabira estão baixos. A informação é do empresário Ricardo Pires, à frente de uma rede de estabelecimentos na cidade. Segundo ele, os postos locais compraram menos combustíveis das distribuidoras nesta semana, com a expectativa de uma redução dos preços a partir de semana que vem. É o que presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu zerar os impostos federais sobre o diesel a partir de 1º de março e ditou o comportamento do setor.
“Todo mundo reduziu a compra agora, com a esperança de comprar mais barato na próxima semana”, comentou. O que o segmento não esperava era a reação imediata à greve dos tanqueiros, que provocou uma corrida às bombas pelos consumidores.
Ricardo não soube estimar até quando os estoques itabiranos atenderão à procura e, neste momento, não há previsão de reposição. O risco de desabastecimento na cidade é alto, indicou o empresário.
Postos da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) já enfrentam desabastecimento. A greve também afeta o carregamento nas bases próximas à Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim. Esse cenário é relatado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro).
“Itabira não é um local isolado; dependemos da base de Betim. Como ela não está carregando, o estado inteiro pode ser desabastecido. Quando teve a greve dos caminheiros, em três dias desabasteceu todo o estado. Só que naquela época, não estávamos com o estoque tão vazio como agora”, disse Ricardo Pires.
Minaspetro
O Minaspetro representa cerca de 4,5 mil postos de combustíveis do estado. O sindicato não prevê quando haverá a falta de combustíveis nas bombas, pois não realiza pesquisas junto a cada revendedor e afirma que o estoque dos postos varia sensivelmente. “Estabelecimentos com alto volume de vendas diárias tendem a ter uma capacidade maior de armazenamento, e vice-versa”.
“O Minaspetro apurou que vários postos já sentem os efeitos da greve, com dificuldades para fazer pedidos juntos às distribuidoras de combustíveis e abastecer os caminhões próprios nas bases, em virtude do bloqueio da entrada e saída de veículos pelos grevistas. Caso a greve permaneça nas próximas horas, certamente haverá falta de produtos em grande parte dos postos de combustíveis do estado”, manifestou a entidade.
Sinditanque
O Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sinditanque) afirma mais de 300 caminhões parados no estado.
A greve foi deflagrada pelo Imposto de Circulação Sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre o diesel em Minas Gerais, que a partir de 1º de março será de R$ 0,6011/litro. “No caso da gasolina, esse valor será de R$ R$ 1,6084, absurdos 32%, que somado aos outros impostos chega a quase 50% do preço pago pelo consumidor”, diz texto do Minaspetro.
Ontem (25), o governador Romeu Zema (Novo) negou a possibilidade de aumento da alíquota do ICMS sobre combustíveis em Minas Gerais. Atualmente, o Estado cobra 31% de ICMS sobre a gasolina, que é a segunda maior alíquota do país, e 12% sobre o diesel. Zema disse que a redução da alíquota do imposto depende de ‘finanças em equilíbrio’.

