O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) assumiu rapidamente sua inelegibilidade, declarada nesta sexta-feira (30), pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Estou inelegível a partir de agora”, reconheceu Bolsonaro aos gritos, inconformado com o resultado. Ele falou à imprensa em Belo Horizonte e afirmou que o Brasil está em “caminho bastante avançado” para se tornar uma ditadura, ainda que a decisão judicial tenha sido tomada de forma colegiada. “Isso não é democracia”, disparou, após a condenação.
Bolsonaro afirmou que foi condenado “pelo conjunto da obra” e que o TSE trabalhou contra ele inclusive durante o processo eleitoral. “Acredito que hoje tenha sido a primeira condenação por abuso de poder político”, declarou o ex-presidente. “Foi uma condenação sem crime de corrupção, mas tudo bem”, seguiu.
“Acrescentar camadas de segurança é crime na questão eleitoral? É abuso de poder político defender algo que sempre defendi como parlamentar?”, reclamou Bolsonaro. Ele garantiu que a direita brasileira seguirá seu próprio caminho, com ele como cabo eleitoral. “Vamos continuar trabalhando”.
Para Bolsonaro, o Brasil não reconheceu seu “esforço” em “jogar dentro das quatro linhas da Constituição”. “Não gostaria de me tornar inelegível. Hoje tomei uma facada nas costas com inelegibilidade por abuso de poder político”.
O ex-presidente afirmou que quem contribuiu com sua inelegibilidade deveria, “por coerência”, confraternizar com os ditadores Nicolás Maduro, da Venezuela, e Daniel Ortega, da Nicarágua, aliados de Lula. “Me tiraram de combate com o Ortega convidado para o Foro de São Paulo“, reclamou Bolsonaro, sobre o evento que acontece nesta semana em Brasília.
Bolsonaro pode recorrer ao STF
Bolsonaro está em Belo Horizonte desde a tarde de quinta-feira (29), para participar do velório do ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli. Na manhã desta sexta-feira, poucas horas antes da terceira sessão do julgamento que o tornaria inelegível por oito anos, o ex-presidente concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da Itatiaia.
Em sua entrevista, Bolsonaro chegou a rebater as falas de ministros do TSE, alegando que não atacou o sistema eleitoral durante reunião com os embaixadores estrangeiros, em julho de 2022. “Não ataquei o sistema eleitoral, eu mostrei possíveis falhas”, disse. Ele se referia a uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre uma possível invasão ao sistema interno do Tribunal por hackers.
“Fiz o mesmo que o ministro Edson Fachin dois meses antes. Chamei os embaixadores e conversei com eles sobre o nosso sistema eleitoral. Discuti o inquérito aberto pela PF na primeira semana de novembro de 2018 após minha eleição, que investigava uma denúncia bem fundamentada de fraude nas eleições, cujo documento à época ainda não tinha caráter sigiloso. Estou sendo julgado por um inquérito aberto até hoje”, ponderou.
A denúncia mencionada por Bolsonaro é antiga e foi esclarecida pelo próprio TSE, que atestou serem íntegros os resultados das
eleições de 2018.
O ex-presidente afirmou, ainda, que em caso de condenação ingressará com recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) — o que deve acontecer após a confirmação do resultado do seu julgamento, que determinou a sua inelegibilidade.

