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Conferência na Funcesi debate políticas de acolhimento e combate ao feminicídio

Foto: Victor Eduardo/DeFato

A Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi) realizou, neste sábado (25), a roda de conversa “Cultura da Paz como instrumento de combate ao feminicídio”, durante a Conferência Livre dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O evento reuniu especialistas da segurança pública, do direito e da comunicação para debater estratégias de acolhimento e prevenção à violência contra a mulher.

A mediação foi realizada pela advogada Amanda Teixeira, que alertou para a invisibilidade de mulheres com deficiência em casos de violência sexual, defendendo a criação de espaços acessíveis. No debate, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Lia Andrade, reforçou a necessidade de políticas públicas que promovam autonomia e visibilidade feminina como ferramentas para romper o ciclo de violência.

O delegado regional da Polícia Civil em Itabira, Diogo Luna Moreira, apresentou o funcionamento da rede de proteção local, citando o Centro de Referência Especializada de Atendimento à Mulher (Cream) como exemplo de integração entre a polícia e o suporte psicossocial. Segundo Moreira, o modelo itabirano é referência no estado ao unir justiça criminal, assistência social e educação no enfrentamento ao crime.

O papel da mídia também foi central na discussão, com a participação da jornalista Giovanna Victória. Ela provocou uma reflexão sobre como a linguagem jornalística pode educar ou desinformar a sociedade. A jornalista citou o exemplo de expressões que suavizam a gravidade do crime, como “não aceitou o fim do relacionamento”, sugerindo que as redações devem substituir abordagens emocionais por termos que evidenciem relações de posse e controle.

Ao final, o encontro diferenciou as redes de atendimento, que atuam no pós-crime, das redes de enfrentamento, que envolvem a sociedade civil na prevenção. O debate reafirmou que a “Cultura da Paz” exige uma mobilização estrutural para que a violência de gênero deixe de ser naturalizada e que as vítimas encontrem canais seguros de denúncia e acolhimento.

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