Consumidores dos Estados Unidos já sentem o impacto nos bolsos provocado pela alta de preços na recente política comercial implementada pelo presidente Donald Trump, tarifando parceiros comerciais sobre produtos importados.
É o caso, por exemplo, do Brooklin, em Nova York e também em Nova Jersey, onde consumidores se veem forçados a mudar hábitos alimentares para manter o consumo.
Jeanette, norte-americana e sua mãe Angelina, nascida em Porto Rico, dizem que a alta é generalizada.
“Tudo aumentou. Está mais caro. A carne, sobretudo, subiu muito de preço”, diz Jeanette Puma.
Angelina afirma que o café é o que mais pesa no orçamento. “O café subiu muito. Eu adoro coar meu café e ele está caríssimo. Então, o que eu faço é reduzir para uma ou duas xícaras por dia”.
A alta afetou também os produtos enlatados, como o atum, que Angelina lembra que antes pagava 3 latas por US$ 5, e hoje paga US$ 6 por cada embalagem.
O atum consumido nos EUA vem em sua maioria de países como a Tailândia e Indonésia, afetados pelas tarifas de 36% e 19%, respectivamente.
A mudança tem afetado o cardápio, é o que afirma Juan Llambo, equatoriano. “Já não consumimos muita carne, porque está muito cara. Compramos mais frutas no lugar da carne. Arroz, muito pouco, porque também está bem mais caro. Café também. Isso afeta a gente como trabalhador, porque já não dá para tudo”.
O casal Michelle e Joel Garcia, apreciadores da comida japonesa, confirma que os produtos importados realmente encareceram mais. “Muita coisa importada aumentou de preço. A gente vinha aqui ver esses produtos japoneses, por exemplo, e os preços estão, definitivamente mais altos“.
O casal atribui o aumento dos preços não somente às tarifas, mas também à pandemia. “Se você parar para pensar, desde a pandemia tudo disparou, desde o leite a outros produtos básicos”.
Os importadores norte-americanos, que também distribuem os produtos, reclamam da alta dos preços, como é o caso de uma torrefadora de café no Brooklin, um dos sócios, Howard Chang, explica que a incerteza provocada pelas tarifas encarece a compra dos grãos e torna mais difícil fechar contratos.
“As tarifas deixaram o café cru mais caro. A falta de certeza tornou mais difícil buscar fornecedores e planejar contratos. Os custos aumentaram em todos os segmentos”.
A estratégia de Chang tem sido a diversificação de fornecedores buscando alternativas para manter a qualidade. “Isso nos forçou a ser mais criativos e diversificar os critérios de compra e criar novas relações com produtores”.
O empresário ainda não quantificou o impacto exato sobre o café do Brasil, porque os estoques ainda não foram afetados, mas, se a tarifa de 50% for realmente aplicada, há planos de importar mais de outros países reduzindo os impactos.
Leonardo de Oliveira, gerente de uma distribuidora de bebidas em Nova Jersey, afirma que não houve aumento expressivo para as cervejas mexicanas, mas alguns vinhos portugueses já ficaram mais caros.
“As empresas ainda têm estoques adquiridos antes das tarifas. A expectativa é de que os preços subam quando acabar esse estoque”.
Antecipando a essa possibilidade, Leonardo decidiu comprar grande quantidade de bebidas. “Aumentei minhas compras de cerca de 200 para 720 caixas de cerveja Coronita, o que me permitiu manter a margem de lucro sem repassar os custos para o cliente“.
Distribuidores e comerciantes têm se reinventado para manter a estabilidade dos preços, enquanto consumidores reduzem porções e modificam hábitos, mas a sensação é de incerteza: até onde vão esses aumentos e por quanto tempo vão durar”. Não há previsão de resposta para essa pergunta.

