O seminário “Agosto Lilás”, realizado na última sexta-feira (8) pela Câmara Municipal de Itabira e pela Escola do Legislativo, abriu espaço para reflexões sobre diferentes formas de enfrentamento à violência contra a mulher. Em sua participação, a psicóloga e coordenadora do Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher (CREAM), Tatiana Gavazza, ressaltou a importância de oferecer acolhimento integral e respeitar o tempo de cada vítima no processo de reconstrução pessoal.
“Primeiro, quero agradecer a oportunidade de falar sobre isso, porque eu estou, desde a hora que eu cheguei de manhã, pensando que nós temos falado muito em denúncia, medida protetiva, responsabilização, e isso tem vindo muito na questão da repressão, que é necessária, não estou dizendo isso. Porém, a gente tem que lembrar que esses autores de violência, em quase 100%, são pessoas que essas mulheres se apaixonaram por eles, são pessoas que são pais dos filhos dessas mulheres, ou às vezes são os filhos dessas mulheres, são os irmãos, são os pais delas. Então, o acolhimento, a escuta, receber essas mulheres num espaço onde elas compreendam que nós estamos ali por elas, junto delas, com aquilo que elas dão conta de fazer no momento que elas chegam. E porque a gente vai caminhar junto, sabe?”, afirmou.
Tatiana reforçou que o CREAM é um espaço aberto para todas as mulheres, independentemente de posicionamento político, crença religiosa ou visão sobre o papel feminino na sociedade. “O nosso trabalho é contribuir para que tenha um rompimento da situação de violência. (…) Se nesse percurso do acompanhamento for de desejo da mulher, ou se chegar no momento em que a mulher considera necessário a denúncia, nós estaremos lá para acompanhá-la”, explicou, citando a parceria com órgãos como Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público e Judiciário.
A coordenadora também destacou a importância de criar vínculos e trabalhar antes que a situação chegue a níveis extremos. “O nosso objetivo é nunca ter que romper com sigilo de nada, porque nós queremos trabalhar muito antes disso, criar vínculos, deixar a unidade de portas abertas, oferecer possibilidades, como também o abrigo que acolhe mulheres em risco de morte. (…) Porque ter que se assumir, uma mulher, numa situação de violência, isso passa a ser uma coisa que você responde como fazendo parte da sua história, da sua identidade. (…) Mas para partir daqui, gasta-se um tempo. Um tempo de reconstrução, de fortalecimento, de uma nova visão que essa pessoa vai passar a ter dela mesma. Porque elas muitas vezes chegam desconstruídas de tudo, de si mesma”, afirmou.
O seminário fez parte das ações do “Agosto Lilás”, campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a mulher, reunindo especialistas e representantes de diferentes áreas para discutir políticas públicas e estratégias de proteção e apoio às vítimas.

