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Crescendo na crise: setores que estão com o foco no pós-pandemia

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Foto: Bruno Andrade/ DeFato Online

Reportagem veiculada na edição 82 do Jornal DeFato Cidades Mineradoras

A pandemia do coronavírus se tornou uma pedra no caminho da economia global. As inúmeras restrições impostas ao setor, por fatores que incluem a queda nas rendas familiares e o adiamento de diferentes investimentos e projetos, foram alguns dos contribuintes deste abalo. 

A necessidade de isolamento social, na contenção da proliferação da Covid-19, fez com que as principais áreas da economia registrassem forte queda. E uma análise realizada pelo  Itaú Unibanco (ITUB4), no final de 2020, mostrou que menos de 30%  dos departamentos econômicos afetados pela pandemia conseguiram se recuperar.

Importante ressaltar que 2020 foi um ano em que ramos diversos precisaram se reinventar. E em 2021 não tem sido diferente. Contudo, mesmo após quase 15 meses imersos nessa nova realidade, é visível a dificuldade de muitas empresas, negócios e investidores em se adaptar ao cenário. 

As recentes mudanças exigem hoje, mais do que sempre, uma visão estratégica dos empreendedores para que possam se redescobrir ou se reconstruírem em meio às novas necessidades. E houve quem conseguiu se destacar em meio à crise.

Novas aquisições e visão futura

A aquisição de negócios e propriedades é um movimento, ainda que bastante discreto, que tem ganhado forças nos últimos meses, por influência da pandemia do novo coronavírus. De acordo com o contabilista Geraldo Mateus Frias, tais investimentos não são uma tendência e ocorrem em casos específicos, onde o investidor entende que determinado ramo não acaba, mas se transforma. 

“O que vem acontecendo são casos em que o empresário nos procura já buscando uma oportunidade em determinado mercado. Normalmente, o perfil desse investidor é de alguém que já atuou, ou atua, com certa intensidade no setor escolhido. Há também os que priorizam pontos comerciais que tenham mais movimento; ou aquelas que fecharam por não terem se adequado ao momento econômico. Esse é um movimento que vem acontecendo com uma certa demanda e, normalmente, essas operações são feitas pensando no pós-pandemia”, explicou o contabilista. 

Geraldo Mateus também pontua que, muitas das vezes, os empreendedores optam por adquirir os negócios, mesmo que para mantê-los fechados ou parados. O foco está no potencial futuro que determinada empresa possa apresentar. Assim, os investidores a compram como parte de um ponto estratégico. 

“Há aqueles que conseguem manter sua aquisição ou suas aquisições sem nenhuma atividade econômica durante algum tempo, mas sempre tendo em mente que ele poderá reativar determinado produto no momento mais propício. Isso vem acontecendo, principalmente, em atividades que foram mais comprometidas justamente por serem aquelas em que o proprietário já não possui mais meios suficientes para mantê-las. Assim, surge esse comprador que, devido às dificuldades do mercado, não vai demonstrar interesse nenhum em aquecer o negócio, mas sim em adquirir o produto em condições favoráveis à ele e reservá-lo por um tempo. Esse tipo de investimentos abre outros leques de possibilidades como negociar aluguéis, rescindir contratos de trabalho e manter a estrutura para que ela possa ser lançada no pós-pandemia”, ponderou. 

Foto: Bruno Andrade/ DeFato Online

Dança das cadeiras

Outra característica que tem se mostrado bastante evidente no momento – e que nasceu, inclusive, em função das necessidades e não de um planejamento – é o que o Geraldo Mateus define como “dança de cadeiras”. Segundo ele, tratam-se das mudanças que muitos negócios tiveram de fazer em relação ao seu ponto comercial.

“Quando a pandemia começou, a solução mais viável para alguns problemas foi a negociação direta com os proprietários dos pontos comerciais. Iniciamos uma realidade difícil. Então, o melhor a se fazer foi propor acordos. Contratos e pagamentos foram suspensos, valores acabaram reduzidos e descontos foram conquistados. O ponto crítico disso tudo é que a pandemia se espalhou por um tempo bem maior do que o previsto inicialmente. Estamos há mais de um ano nessa situação. E acabamos de sair de um segundo lockdown, onde os comércios ficaram fechados por um mês, ou seja, são detalhes que vão impactar nos negócios de muitos empreendedores”, relata. 

O contabilista também pontuou os desgastes que podem existir entre os empreendedores e os proprietários dos pontos comerciais ao longo de todos esses meses de pandemia. Geraldo Mateus explica que, dentro do mundo dos negócios, o custo dos aluguéis é uma das cargas mais pesadas existentes. Algo que, com o tempo, pode se tornar um empecilho para as possíveis negociações. 

“Inquilino com dificuldade com o aluguel, de administrar o custo do aluguel, tem sido uma realidade. Com o tempo, essa constância acaba sendo crucial na hora de possíveis negociações. Além disso, o fato do mercado estar hoje com um volume de ofertas de imóveis comerciais muito grande, acaba fazendo com que os estabelecimentos alterem o seu ponto de comércio. Isso é algo que vem sendo observado nos últimos meses”, detalha.

Outro fator de destaque na dança das cadeiras é o fato dos estabelecimentos (muitas vezes de menor porte) estarem se instalando em locais tidos como mais nobres. Ali, eles contam com favorecimentos como giro de negócios e um aluguel muito mais em conta do que o ponto anterior. Esse é um quadro que Geraldo Mateus atribui à construção de uma nova relação. Trata-se de um acordo novo, um contrato novo e, também, do suprimento de uma determinada carência. 

Estar em um lugar mais nobre, mesmo com o declínio do mercado gerado pelo desemprego, se torna – na maioria das vezes – a única solução para alguns estabelecimentos. “Não é uma tendência, pois a essa altura do momento econômico, muitos empresários já estão sem fôlego. Mas, não deixa de ser uma solução em alguns casos, principalmente aqueles em que a relação inquilino-proprietário já está esgotada”, conta Geraldo Mateus. 

Setores fortalecidos

Se para alguns setores a pandemia do coronavírus foi sinônimo de problemas e dificuldades, para outros ela se tornou solução. Segundo Geraldo Mateus, entre os segmentos que apresentaram bons resultados ao longo dos quase 15 meses dentro dessa nova realidade, estão os relacionados às mudanças, reformas e reparos nas residências. Ele explica que, impulsionadas pelo “faça você mesmo”, as pessoas decidiram se dedicar aos pequenos reparos domésticos e pinturas. “O faça você mesmo veio para fortalecer os depósitos, as lojas de materiais de construção, materiais elétricos e outros”, lista.

A área da informática também tem sido vista com bons olhos nos últimos meses. Considerado como uma alternativa para muitos modelos de negócios, o segmento – que já era promissor – acabou crescendo ainda mais durante a pandemia. “A necessidade de reestruturar a parte de automação, de informática e de softwares se tornou muito presente. E isso fez, inclusive, com que aumentasse o número de empresas em função das novas demandas que surgiram. E desse novo modelo de execução”, concluiu Geraldo.

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