Victor Sorrentino, médico e influenciador digital de Porto Alegre (RS), ficou muito mais conhecido do que era na semana que passou. Sorrentino, que acumula cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram, estampou manchetes Brasil afora depois de ser detido, em 30 de maio, no Cairo, capital do Egito, após ele mesmo publicar um vídeo em que zomba, faz perguntas sexistas e constrange uma vendedora daquele país. O influenciador foi denunciado e investigado por assédio sexual.
O caso do influenciador gaúcho começou no dia 24 de maio, quando ele foi a uma loja onde são vendidos papiros – espécie de papel – usados para a escrita. A atendente do estabelecimento mostra como é feito o papiro. O brasileiro grava a cena e pergunta a ela, em português: “Vocês gostam mesmo é do bem duro, né?”. Em tom de deboche, ele continua. “E cumprido (sic) também fica legal, né?”. A vendedora não entende o que foi dito e responde “sim”, enquanto ele e os amigos riem.
Victor Sorrentino publicou o vídeo em suas redes sociais e a publicação repercutiu como ele não esperava. Houve uma mobilização que resultou na detenção dele em 30 de maio, iniciada por brasileiros e expandida por ativistas feministas egípcias. O movimento fez com que as ofensas verbais do médico gaúcho contra a vendedora de papiros chegassem às autoridades do país.
Sorrentino apagou o stories, postou um pedido de desculpas dizendo que foi apenas uma “brincadeira”, além de ter restringido o acesso ao perfil, que antes era público.
Crimes
Mas, o influenciador foi formalmente acusado pelo Ministério Público do Egito por diversos crimes: expor a vítima à insinuação sexual verbal, cuja pena é de 6 meses até 3 anos de prisão e multa não inferior a EGP 5.000 (cerca de R$ 1.643), ou uma das duas penalidades; transgressão contra os princípios e valores familiares da sociedade egípcia, com pena mínima de 6 meses de prisão e multa não inferior a EGP 50.000 (cerca de R$16 429), ou uma das duas penalidades; violação da santidade da vida privada da vítima e uso de conta digital privada para cometer esses crimes, ambas acusações também sujeitas a pena mínima de 6 meses de prisão e multa não inferior a EGP 50.000, ou uma das duas penalidades. As informações são da Agência Estado.
Pedido de desculpas
A vítima, cuja identidade é protegida pela lei egípcia, foi localizada e chamada para depor. Ela informou ao Ministério Público que o médico brasileiro a procurou um dia depois de a ter assediado para se desculpar.
Esse pedido de desculpas foi divulgado pelo médico em suas redes sociais no sábado, 5, ao lado da vítima do assédio. “Meu nome é Victor Sorrentino, eu estou gravando esse vídeo para pedir desculpas por ter errado em gravar um vídeo sem autorização da senhorita e falando palavras feias. Quero deixar claro que tenho o maior respeito pelo povo egípio (sic) em geral, especialmente as mulheres egípcias”, declarou o médico, acompanhado de um tradutor em árabe. “Eu peço a minha mais sinceras desculpas a senhorita Him”, acrescentou.
A vendedora disse no vídeo que aceitava as desculpas do médico brasileiro. “Como eu represento as mulheres e o povo egípicio, como somos um povo hospitaleiro e carinhoso que recebemos a todos os visitantes de todas as partes do mundo, para mim é suficiente que ele peça desculpas e eu vou aceitar suas desculpas”, afirma a mulher, que teve o rosto borrado na imagem. Segundo informações, a queixa foi retirada.
Retorno ao Brasil
O médico Victor Sorrentino que tinha detenção preventiva mantida desde o dia 30 de maio, retornou ao Brasil na tarde desse domingo, 6. A informação foi divulgada pela assessoria do profissional.
“Comunicamos que o cidadão e médico Victor Sorrentino está de volta ao Brasil, após prestar todos os esclarecimentos solicitados e ser liberado pelas Autoridades Egípcias. A prioridade é o reencontro com a família e, oportunamente, vai se manifestar publicamente sobre o ocorrido. A Família Sorrentino agradece a todos que torceram e que, de alguma forma, tiveram participação para que este desfecho ocorresse o mais rapidamente possível”, diz nota veiculada pelo site G1.
Questionado pelo G1 sobre a intervenção no caso, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil – o Itamaraty – informou que “não fornece informações sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”.
Segundo o jornal Estado de Minas, o médico gaúcho tem histórico desse tipo de crime em outros países. Em 2014, por exemplo, ele fez o mesmo com uma australiana, quando pediu para ela dizer, em português, que iria ter relação sexual com ele e depois ele ainda afirmou que iria “despachar” a mulher.
*Com informações da Agência Estado

