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Declaração de Lula a jornalistas brasileiros causa indignação em ucranianos

Lula

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, na quinta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou surpresa ao tecer comentários sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Na oportunidade, Lula sugeriu ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a concessão pela Ucrânia do território da Criméia, ocupada por forças militares e anexada por Vladimir Putim à federação russa, em 2014.

Já na sexta-feira (7), a Ucrânia rebateu fortemente a sugestão do presidente brasileiro, por meio do porta-voz da sua diplomacia. Oleg Nikolenko, em uma publicação no Facebook, rechaçou a possibilidade de entregar parte do seu território para por fim à guerra entre os países: “Não há razão legal, política, nem moral que justifique abandonar um só centímetro do território ucraniano”.

Para Lula, Zelensky “não pode querer tudo”, mas também admitiu que a Rússia não pode controlar os territórios anexados no país vizinho: “Putin não pode com o terreno da Ucrânia. Talvez se discuta a Criméia, mas o que ele invadiu de novo, tem que se repensar”.

Já o presidente ucraniano, pelas redes sociais, deixou claro que a paz só será possível quando a Criméia for recuperada. “O mundo deve saber: o respeito é a ordem retornarão ás relações internacionais apenas quando a bandeira do nosso país for novamente hasteada na Criméia; quando houver liberdade lá, assim como em qualquer outro lugar da Ucrânia”, disse.

Em sua recente visita ao Brasil, em janeiro, o chanceler alemão, Olaf Scholz tentou convencer Lula a fornecer munição aos tanques Leopard, fornecidos pela Alemanha à Ucrânia. Como resposta, ouviu do presidente brasileiro que “quando um não quer, dois não brigam”.

O governo brasileiro, desde Jair Bolsonaro (PL), tem procurado manter neutralidade nas questões entre esses países, posicionamento que é visto com desconfiança pelos ucranianos. Ainda quando era presidente, Bolsonaro se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscou, uma semana antes da invasão da Ucrânia pela Rússia,.

À época, Bolsonaro afirmou ter ido tratar com Putin sobre fornecimento de fertilizantes ao Brasil. Na ONU, o Brasil relutou em votar uma moção de repúdio contra a Rússia, mas o fez por meio do embaixador do Brasil na organização, Ronaldo Costa Filho.

A desconfiança dos ucranianos é reforçada pela composição dos Brics, onde o Brasil é parceiro da Rússia e China, e mais outros três membros.

A Rússia e a China têm intensificado suas relações bilaterais e, nesta terça-feira (11), Lula vai a Pequim, encontrar-se com o presidente chinês, Xi Jinping, em cuja pauta de reunião está o conflito russo-ucraniano.

Acrescente-se a isso, o fato de a China ser o principal parceiro comercial do Brasil — com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) passando a ocupar a presidência do Banco dos Brics, em Xangai.

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