Defesa de médium preso em Itabira nega acusações e diz que rituais seguem tradição da religião; saiba mais

A investigação segue em andamento, e a Polícia Civil tem prazo de dez dias, a contar da prisão preventiva, para concluir o inquérito e encaminhar os autos ao Ministério Público

Defesa de médium preso em Itabira nega acusações e diz que rituais seguem tradição da religião; saiba mais
Foto: DIvulgação/PCMG

A defesa do líder religioso, investigado pela Polícia Civil em Itabira por suspeita de abusos sexuais cometidos durante rituais religiosos, se manifestou por meio de nota divulgada na tarde desta quarta-feira (10). O caso está sob investigação da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), e o suspeito segue preso preventivamente enquanto as diligências são concluídas.

Em nota, o advogado responsável pelo caso afirmou que o cliente “nega veementemente ter praticado qualquer ato de natureza sexual, libidinosa ou abusiva contra as supostas vítimas”. Ele destacou que os rituais mencionados pelas testemunhas fazem parte de práticas tradicionais de religiões de matriz afro-brasileira, como o Candomblé e a Quimbanda, reconhecidas pela Constituição Federal no que diz respeito à liberdade religiosa. (confira a nota na íntegra ao final do texto)

“Rituais mencionados fazem parte do cerimonial tradicional da religião professada por ele”, afirma a nota

Segundo a defesa, os banhos ritualísticos, o uso de ervas, alimentos e outros elementos naturais “não têm qualquer conotação sexual ou intenção de causar constrangimento”. A nota ainda ressalta que o investigado não manteve relação íntima com fiéis sob coerção, ameaça espiritual ou indução.

O advogado também pediu cautela em relação ao caso, afirmando que “interpretações distorcidas dessas práticas devem ser analisadas dentro do devido processo legal, respeitando os princípios da presunção de inocência e do contraditório”. Ele reforçou que a defesa técnica confia na apuração imparcial dos fatos e que o cliente tem colaborado com as autoridades.

A investigação segue em andamento, e a Polícia Civil tem prazo de dez dias, a contar da prisão preventiva, para concluir o inquérito e encaminhar os autos ao Ministério Público, responsável por decidir se apresentará denúncia.

Nota da Defesa

“Na qualidade de advogado constituído do investigado, venho, por meio desta nota, manifestar posicionamento diante das graves acusações que vêm sendo veiculadas na imprensa.

Inicialmente, ressalta-se que, o investigado nega veementemente ter praticado qualquer ato de natureza sexual, libidinosa ou abusiva contra as supostas vítimas. Ressalta-se que nenhuma relação íntima foi mantida com qualquer fiel sob coerção, ameaça espiritual ou qualquer forma de indução ou engano, conforme vem sendo sugerido.

Nesse sentido, o investigado é praticante de uma fé de matriz afro-brasileira, cuja doutrina envolve rituais e elementos simbólicos próprios, incluindo banhos ritualísticos, uso de ervas, alimentos e outros elementos naturais, em consonância com fundamentos religiosos do Candomblé e da Quimbanda, práticas reconhecidas e protegidas pela Constituição Federal no que tange à liberdade de crença e culto (art. 5º, inciso VI).

É importante esclarecer que os rituais mencionados fazem parte do cerimonial tradicional da religião professada por ele, não tendo qualquer conotação sexual ou intenção de causar constrangimento. As interpretações distorcidas de tais práticas devem ser analisadas com cautela, dentro do devido processo legal e respeitando os princípios constitucionais da presunção de inocência e do contraditório.

A defesa técnica reitera que não se pode admitir qualquer forma de julgamento social antecipado, baseado em narrativas unilaterais ou repercussões midiáticas. Ademais, reforça-se que está colaborando com as autoridades competentes e confia plenamente na apuração isenta, imparcial e técnica dos fatos, afastando-se qualquer julgamento precipitado ou condenação pública sem que haja prova efetiva e concreta.

Reiteramos nosso compromisso com a verdade e com a Justiça, e nos colocamos à disposição para qualquer esclarecimento adicional necessário.”