A delegada Ana Paula Lamego Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), recebeu uma nova licença médica e continuará afastada das funções até meados de dezembro. O afastamento foi confirmado pela corporação nesta segunda-feira (13).
Ana Paula é esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, preso pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrido em agosto, no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte.
Licença prorrogada e processo disciplinar
Segundo informações da PCMG, a delegada foi submetida a nova perícia médica, que resultou na prorrogação da licença por mais 60 dias. Ela está afastada desde o dia 13 de agosto, dois dias após o crime cometido pelo marido.
De acordo com o Portal da Transparência, Ana Paula recebeu R$ 15,7 mil líquidos no primeiro mês de afastamento. Mantida essa média, a remuneração pode alcançar cerca de R$ 93 mil brutos em quatro meses, além do 13º salário.
A PCMG não divulgou detalhes sobre o estado de saúde da servidora, que também responde a um processo administrativo disciplinar e foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo e prevaricação.
O crime que chocou Belo Horizonte
O gari Laudemir de Souza Fernandes foi assassinado em serviço no dia 11 de agosto. O autor do disparo, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, confessou o crime. A arma utilizada pertencia à esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino.
Após o assassinato, o empresário seguiu a rotina normalmente: foi visto no trabalho, passeando com dois cachorros e, posteriormente, na academia, onde acabou sendo preso.
Mensagens trocadas após o crime
Durante as investigações, a polícia encontrou mensagens enviadas por Renê à esposa logo após o homicídio. Em uma delas, ele pedia que Ana Paula entregasse uma arma diferente da usada no crime:
“Entrega a nove milímetros. Não pega a outra. A nove milímetros não tem nada.”
Em outro momento, antes de ser preso, Renê escreveu:
“Estava no lugar errado na hora errada. Amor, eu não fiz nada.”
A Polícia Civil confirmou que a arma usada no assassinato pertencia à delegada. Por ter cedido o armamento ao marido, Ana Paula foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Penas e desdobramentos
Conforme a Lei do Desarmamento, o crime de porte ilegal de arma de fogo prevê pena de 2 a 4 anos de prisão, podendo ser aumentada em até dois anos por ela ser servidora pública.
O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, ameaça contra a motorista do caminhão de coleta e porte ilegal de arma de fogo. As penas podem somar até 35 anos de prisão.

