A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior — que confessou ter assassinado o gari Laudemir Fernandes, em julho deste ano, em Belo Horizonte — foi indiciada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais (CGPC/PCMG) por prevaricação.
O indiciamento foi confirmado na quinta-feira (11) pela Polícia Civil. Segundo a nota oficial, o procedimento administrativo ainda está em andamento:
“A PCMG esclarece que tramita na CGPC o procedimento administrativo que apura eventual transgressão disciplinar por parte da servidora, no qual são garantidos os direitos à ampla defesa e ao contraditório. Portanto, exige-se um prazo maior para a conclusão.”
Crime previsto no Código Penal
A prevaricação é prevista no artigo 319 do Código Penal e ocorre quando um funcionário público retarda, deixa de praticar ou pratica contra a lei ato de ofício, visando satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
Outro indiciamento
Esse não é o primeiro envolvimento da delegada no caso. Em 30 de agosto de 2025, a Polícia Civil já havia indiciado Ana Paula por porte ilegal de arma de fogo, durante as investigações sobre a morte de Laudemir.
De acordo com o delegado Evandro Radaelli, responsável pelo inquérito, Ana Paula sabia que o marido fazia uso da arma:
“A esposa tinha ciência que ele fazia o uso da arma de fogo com constância”, afirmou Radaelli em entrevista coletiva concedida na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, no dia 30 de agosto deste ano.
Repercussão e próximos passos
O caso ganhou grande repercussão em Minas Gerais, especialmente após a confirmação da confissão de Renê Nogueira Júnior, que permanece preso preventivamente. Já Ana Paula responde em liberdade.
A Corregedoria da PCMG informou que, paralelamente ao processo criminal, corre também o procedimento disciplinar interno, que pode resultar em sanções administrativas, incluindo advertência, suspensão ou até demissão do cargo público.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em nota publicada em 2 de setembro, destacou que acompanha as apurações e que eventuais responsabilidades da delegada serão avaliadas no curso das investigações.

