Os dois casos de estupros e o homicídio registrado em janeiro deste ano em João Monlevade foram pautas de uma coletiva de imprensa, realizada na 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de João Monlevade (4ª DRPC), na tarde desta quarta (4). A coletiva teve a presença do delegado regional, Paulo Tavares, da delegada adjunta, Camila Batista Alves, dos delegados Alex Dalton e Monique Bicalho, e ainda, do investigador Eliel Martins Campos.
O caso do assassinato teve como vítima o mototaxista Flaviano Marques Assis, de 29 anos. Ele foi executado dia 25 de janeiro, nas proximidades de uma hamburgueria onde trabalhava como entregador, na rua Netuno, no bairro Vera Cruz. Na noite do assassinato, J. A. da C., tido como mandante do crime, pilotava uma moto, e V. H. I., estava na garupa e foi quem efetuou os disparos. Em dado momento, J. parou a moto em uma rua acima da hamburgueria, enquanto V. desceu a pé, chamou por Flaviano por quatro vezes, até que o dono do local avisou o funcionário. Flaviano foi para o lado de fora. Nesse momento, V. sacou a arma e deu um disparo no chão e outro certeiro no peito. Os dois suspeitos fugiram.
Segundo o delegado Alex Dalton, o crime teve motivação passional. O mandante estava se envolvendo com uma mulher, que já teve relacionamento com a vítima. No dia do crime, Flaviano teve um desentendimento com J., com troca de agressões. Foi quando J. foi atrás do comparsa no Jorge, a fim de arquitetarem o plano e matarem Flaviano. Segundos os dois delegados que trabalharam no caso, Camila Alves e Alex Dalton, o inquérito foi resolvido em menos de 30 dias, e demandou várias diligências e dedicação dos envolvidos. Tanto o mandante quanto o autor do crime estão presos, e já participaram inclusive da reconstituição do crime.
Estupros
Os dois casos de estupros também solucionados pela Polícia Civil foram detalhados em coletiva. O primeiro tem como vítima uma criança de 11 anos. Uma conhecida da família, que atualmente cria a menina, procurou a delegacia após ouvir da vítima que ela sofria abusos sexuais do irmão, de 16 anos e de um primo, M. J. L. S., maior de idade. Os estupros ocorriam na casa da mãe da criança, no bairro Loanda, e os suspeitos se revezavam na prática do crime. A garota era estuprada desde que tinha cinco anos de idade.
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso e apreendeu o menor no dia 21 de fevereiro. O primo dele se entregou à polícia no dia 28. Apesar do estupro ter sido comprovado por médico legista, os dois negam o crime. A mãe da menina também foi indiciada por estupro, como omissão. Monique Bicalho afirmou que, conforme investigação, havia momentos em que a mulher presenciava o estupro cometido pelo menor de 16 anos, mas nada fazia.
Em outro caso, a vítima é uma adolescente de 17 anos, que afirmou que sofria abusos sexuais por parte do padastro desde que tinha 10 anos. O suspeito, G.D.S, é motorista de caminhão e aproveitava do fato de ser o detentor da guarda da vítima, desde que a mãe dela a deixou. Conforme apurado pela Polícia Civil, a menina era obrigada a manter relações sexuais com o o padrasto quase que diariamente, e para que ninguém ouvisse ou suspeitasse, ele ligava o som em volume alto. A garota era inclusive proibida de ir à escola. Contudo, não suportando mais os estupros, ela relatou o caso a uma conhecida, que ajudou a comunicar as autoridades. Ele foi preso dia 29 de fevereiro, em seu local de trabalho.
Importância da denúncia
Segundo a delegada Monique, é comum que os autores neguem o crime ou transfiram a culpa para as vítimas, denegrindo a imagem delas. Não foi diferente nos dois casos. Outro ponto em comum entre os casos é que as vítimas tiveram a ajuda de terceiros para fazerem as denúncias. Diante disso, a delegada fez um apelo. “Aproveitando a data, o mês de março, em que comemora o mês da mulher, pedimos sempre que a sociedade se conscientize e denuncie sempre qualquer tipo de violência. É preciso sempre estarmos atentos e vigilantes”, destacou a delegada.

