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Democracia x saúde pública

novo prefeito

Artigo veiculado na edição 77 do Jornal DeFato Cidades Mineradoras

Muitos têm questionado a viabilidade das eleições municipais no atual cenário pandêmico. Como se sabe, a data das eleições foi constitucionalmente alterada para 15 de novembro e não é mais o momento de se questionar se essa foi a melhor decisão. Agora a hora é de se garantir a sua viabilidade da forma mais segura para o eleitor exercer o seu voto.

O fato é que não podemos deixar a crise sanitária ser mais uma desmotivação para o eleitor que, atualmente, está tão descrente com o poder de seu voto. Isto porque com a ampla divulgação de casos de corrupção, os cidadãos brasileiros, principalmente os mais jovens, vêm entendendo o voto como um encargo, em vez de vê-lo como um direito. A decepção com os nossos representantes transborda numa desilusão com o processo democrático.

Porém, já ensinava Platão que “o maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam.” Ora, escândalos de corrupção só são divulgados por termos uma imprensa livre e a liberdade de expressão só se encontra num regime democrático. Do contrário, corrupção jamais viraria matéria de um jornal.

Deve-se alertar ao eleitor desiludido que o seu desinteresse pelo voto favorece o político desonesto, porque acaba dando forças àqueles que governarão para poucos e que se elegem por já possuírem um público de eleitores fiéis. Tais políticos não terão compromisso de governar para o bem de todos, mas apenas em prol do seleto grupo que o elegeu. Eis o resultado indireto de cada abstenção.

A Justiça Eleitoral está envidando esforços para garantir a segurança na hora de votar. Com o mesmo empenho que sempre garantiu a segurança das urnas, ela se dedica à proteção da saúde do eleitor através de um rigoroso protocolo sanitário. Nessas eleições, o eleitor deve se sentir seguro tanto pela sua saúde quanto pela sua escolha, porque sua decisão escreverá a história de seu município por mais quatro anos. Não deixemos que o descaso pelo voto nos leve a um resultado tão nocivo quanto o vírus.

 

Hortência de Carvalho Trindade é chefe de cartório da 150ª Zona Eleitoral de João Monlevade. O conteúdo expresso neste espaço é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião da DeFato.

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