O deputado Evair Melo (PP-ES) protocolou pedido de convocação na Câmara para que o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, explique o gasto de R$ 6,8 milhões do Planalto com pesquisa de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A solicitação foi feita nesta segunda-feira (11).
O Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri), do grupo FSB Comunicação, empresa responsável pelas pesquisas, já tem outros contratos com a Secom, que já totalizaram R$ 22,6 milhões.
Desde março de 2022, a Secom tem parceria com o Ipri, pelo menos até o dia primeiro de abril, que já soma R$ 75 milhões. A FSB recebeu, de 2022 a 2023, recebeu R$ 10,2 milhões de contratos com o Fundo Nacional da Saúde e o Ministério das Comunicações.
A dúvida do deputado reside no fato de que todas as pesquisas sobre a aprovação da gestão Lula são mais favoráveis ao presidente do que os de outros institutos.
O pedido do deputado Evair Melo foi protocolado na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara Baixa, mas depende do colegiado aprovar ou não sua solicitação.
Os deputados chegaram a um acordo para que a CFFC seja presidida pelo PT, mas tanto a instalação quanto a eleição para a presidência da comissão ainda não foram definidas.
Melo disse ao jornal Poder360, que apesar da ala governista já estar definida para a presidência da Comissão, a oposição não vai desistir do requerimento. “Quem não deve, não teme”, argumentou.
No documento, a suspeição das pesquisas da contratada está embasada no fato de que todos os resultados divergem da verdadeira impressão popular do presidente Lula. “O Ipri tem divulgado resultados que favorecem o governo quando comparados com pesquisas semelhantes feitas por outras companhias. A investigação mais recente realizada pelo Ipri, de 6 a 30 de janeirro de 2024, com 21.515 entrevista domiciliares em todas as unidades federativas, revelou que 62% dos cidadãos brasileiros têm uma percepção positiva do governo do PT, enquanto isso, 29% desaprovam e 9% não souberam responder ou se abstiveram”, afirmou Melo no documento.
O deputado cobra explicações do ministro Pimenta ao que ele chama de investimento “desproporcional”. “Embora os contratos tenham sido firmados por meio de licitação, os pagamentos são feitos a critério do governo”, relata o documento.

