Já chegam em 159 pessoas desaparecidas e quatro mortas após o desabamento parcial de um prédio em Miami, nos Estados Unidos, na madrugada de quinta-feira (24). Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente atingiu 55 apartamentos.
Entre os desaparecidos está uma criança brasileira de 5 anos e seu pai, o italiano Alfredo Leone. A mãe do menino, a brasileira Raquel Oliveira, estava fora da cidade no momento da tragédia. Além disso, há pelo menos outros 31 latino-americanos desaparecidos: um chileno, nove argentinos, seis venezuelanos, seis colombianos, três uruguaios e seis paraguaios.
De acordo com a CNN Chile, o chileno que ainda não foi encontrado seria primo da ex-presidente Michelle Bachelet, atual alta comissária de direitos humanos da ONU. Entre os paraguaios estão Sophía López Moreira, irmã da primeira-dama do país, Silvana López Moreira, seu marido e três filhos, bem como a empregada da família.
O presidente dos EUA, Joe Biden, aprovou a declaração de emergência na Flórida, autorizando a Agência Federal para o Gerenciamento de Emergências a coordenar o socorro às vítimas. O presidente norte-americano também prestou apoio às vítimas. “É um momento muito, muito duro. Há muita gente esperando, perguntando se seus parentes estão vivos e o que vai acontecer. Nossos corações estão com eles”.
Sobreviventes presos
Até agora, 35 pessoas que estavam presas na parte do prédio que não caiu foram resgatadas sem ferimentos. Além deles, 10 moradores ficaram feridos e foram tratados no local e outros dois precisaram ser levados para o hospital. A polícia afirmou ainda não ter conseguido o contato de todos que poderiam estar no edifício.
Ainda há dúvidas sobre o número exato pessoas que estavam no edifício na hora da tragédia. Isso se deve ao fato dos apartamentos serem usados por muitos proprietários como casa de veraneio. De acordo com a imprensa local, o condomínio era particularmente popular entre a comunidade judia e de imigrantes latino-americanos. Majoritariamente, viviam no prédio aposentados e jovens famílias com boas condições financeiras.
Por enquanto, apenas uma das pessoas mortas teve sua identidade confirmada. Segundo os legistas , é a psicóloga Stacie Fang, de 54 anos. Seu filho de 15 anos, Jonah, foi resgatado com vida.
Uma das feridas, segundo a CBS News, foi Angela Gonzalez. A psicóloga morava no nono andar do prédio e caiu de uma altura de quatro andares durante o desabamento. Apesar de ter quebrado a pelve, Angela conseguiu localizar sua filha de 16 anos, que estava desarcordada, e retirá-la dos escombros. Seu marido continua desaparecido.
Uma câmera de segurança e uma prédio vizinho flagra o momento do desabamento. Confira!
Afundando aos poucos
O prédio faz parte do condomínio Champlain Towers South, que terminou de ser construído em 1981. Ao todo, 130 apartamentos formam o complexo que está localizado na Avenida Collins, na vila de Surfside. As unidades têm até quatro quartos. Antes da tragédia, os apartamentos de dois quartos eram vendidos por US$ 600 mil a US$ 700 mil (até R$ 3,5 milhões).
De acordo com a CBS, o condomínio foi construído em um terreno pantanoso, algo comum da geografia do estado. O professor da Universidade Internacional da Flórida, Shimon Wdowinski chegou a dizer em entrevista que a área está afundando lentamente há décadas. Ele afirmou que, nos anos 1990, afundava cerca de 2 milímetros por ano. Ainda assim, o professor não acredita que seria o suficiente para explicar o desabamento.
Um advogado da associação de moradores que administra o edifício, Kenneth Direktor, também em entrevista, disse que a estrutura estava prestes a passar por uma grande obra. A intenção era consertar vigas de ferro e estruturas de concreto danificadas. Ele afirmou que os problemas eram os esperados em um prédio à beira-mar e que não havia indícios de comprometimento estrutural.
