Se por um lado Conceição do Mato Dentro experimenta um crescimento econômico como nunca visto na história – a arrecadação municipal de 2016, por exemplo, deve ser pelo menos 30% maior que a do ano anterior –, por outro a criminalidade também deu um salto. Responsável pelas investigações, a Polícia Civil sofre para dar conta de tantos crimes. São homicídios, roubos, furtos, arrombamentos e outras ocorrências graves antes inexistentes na bucólica cidade do Médio Espinhaço.
DeFato entrevistou alguns policiais na apertada delegacia da cidade e ouviu relatos preocupantes. A situação de estrangulamento por que passa a unidade policial precisa urgente de investimento em pessoal, equipamento e estrutura física. A delegacia deveria ter, antes do advento da mineração, pelo menos 13 policiais (dois delegados, três escrivães e oito investigadores). A realidade, entretanto, é bem diferente: dois escrivães e dois investigadores apenas.
A delegada que respondia pela unidade pediu transferência e o governo estadual deve designar o delegado regional de Jaboticatubas para tomar conta dos processos à distância. Vale lembrar que não são só processos relacionados a crimes. A Polícia Civil é responsável também pelo departamento de trânsito (carro apreendido, emplacamento, vistorias) e de identificação – da cidade e região.
Um dos entrevistados pela reportagem, que pediu para não ser identificado, afirmou que ao passo em que a criminalidade cresceu, puxada pelo crescimento, a capacidade da Polícia Civil diminuiu. “Aqui é o caos. Nenhum ‘polícia’ quer ficar aqui, não”, disse.
Bandidos de volta e “escolados”
DeFato apurou que, em 2010/2011, a Polícia Civil esteve bem equipada em termos de pessoal, com delegado, investigadores e escrivães. Na época, dezenas de traficantes e outros criminosos foram presos; a taxa de apuração de homicídios beirava os 100%.
No final de 2011, aconteceu algo preocupante: o Estado fechou a cadeia pública da cidade, por falta de manutenção e outros problemas, e os detentos foram pulverizados em diversos presídios de Minas Gerais, sobretudo na região metropolitana de Belo Horizonte. Bandido de interior sendo transferido para capital tem outro efeito que preocupa autoridades conceicionenses. Ele faz contato com presos “graúdos” e volta “com ensino superior em bandidagem”, comenta um entrevistado.
Segundo ele, aqueles meliantes encarcerados em 2010/2011 estão sendo liberados pela Justiça e voltando à cidade de origem cheios de “networking” para armas, drogas e outros tipos de produtos de crime. Para reverter esse quadro, o Estado vai precisar investir na capacidade policial de investigar. Do contrário…. (Matéria completa na próxima edição do jornal DeFato)

