Ao contrário da semana passada, quando “invadiram” a primeira das três audiências públicas promovidas pela Câmara para discutir o novo estatuto do servidor, servidores da Educação de Itabira compareceram em baixo número no encontro desta terça-feira (14). O detalhe é que o encontro de ontem era voltado justamente a eles.
Como relatado por uma matéria da DeFato, a primeira audiência foi conturbada e marcou o atual racha dentro do funcionalismo público itabirano. Enquanto alguns servidores – principalmente os da Educação – exigem a votação e aprovação imediata do novo plano de cargos e salários da Prefeitura, outros não se sentiram ouvidos durante a elaboração da proposta e exigem novas rodadas de conversa.
Com a baixa adesão dos professores, o encontro desta terça-feira possibilitou, principalmente, o posicionamento dos que se sentem injustiçados. Como a farmacêutica Vera Lúcia, que exigiu união entre seus colegas.
“O que todo servidor quer, porque devemos olhar o outro com empatia, é isonomia. Ou indo mais além, é falar de equidade. Quando falamos em empatia ou equidade, por consequência falamos em justiça. Então acho que esse momento de audiência pública é muito importante para nós, porque durante o tempo em que este plano foi confeccionado nós não fomos ouvidos em momento algum. Então louvo a atitude de fazer essa audiência pública”.
“Não entrem nessa de ficar um servidor brigando com o outro, isso não nos favorece em nada, sabe por quê? Porque uma colega minha me falou uma frase que é mais ou menos assim: “dividir para governar”. Essa divisão começou em 2021, causando revolta na grande maioria dos servidores. Então não vamos cair nessa, temos, como servidores, que usar nossa empatia para com o outro. Reconhecer o valor de um professor, o valor e esforço de uma merendeira, que está ali junto com o professor, com toda a equipe da escola, depois das festas fica até mais tarde organizando a cozinha toda. E assim por diante”.
A divisão iniciada em 2021 e mencionada por Vera se refere ao Presmat (Prêmio de Superação de Metas e Arrecadação de Tributos), projeto da Prefeitura de Itabira que concedeu aumento aos servidores da Fazenda. À época, houve intensos protestos dos demais servidores, que acusavam a medida de não respeitar o princípio da isonomia.
Sem transparência
Em tom forte, a servidora da Saúde afirmou que o plano foi feito às escuras. “Considerando todos esses questionamentos que trazíamos, todas essas angústias, enquanto eles estavam decidindo nossos futuros às escondidas. Porque em momento nenhum trouxe transparência para a gente, estávamos tremendo de medo de pensar o que estava sendo tramado contra nós. Por que esconder isso tudo?”.
Também participaram da audiência pública os vereadores Rose Félix (MDB), Luciano Gonçalves dos Reis “Sobrinho” (MDB), Júlio César de Araújo “Contador” (PTB), José Júlio Rodrigues “do Combem” (PP) e Sebastião Ferreira Leite “Tãozinho” (Patriota), além do presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi), Auro Gonzaga.

