Site icon DeFato Online

Dia da Consciência Negra reforça o dever coletivo contra o racismo, aponta vice-presidente da OAB Itabira 

Foto: DeFato

No mês dedicado ao Dia da Consciência Negra, o debate sobre racismo, cidadania e responsabilidade coletiva ganha força em todo Brasil. As reflexões abordam não só o legado de mais de três séculos de escravidão no Brasil, mas, sobretudo, os caminhos possíveis para transformar esse passado em aprendizado e ação.

Este é o pensamento do advogado e vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Itabira, Weuler Ronilson Dias, que durante uma entrevista à DeFato, destacou a necessidade de enxergar o 20 de novembro como mais que um dia simbólico. A data, segundo o itabirano, deve funcionar como um marco de reflexão sobre o presente e o futuro. “A Consciência Negra precisa ser o momento de pensarmos no que vamos construir daqui em diante com todas essas marcas que a história deixou”, disse. 

Em sua visão, a legislação brasileira tem avançado nos últimos anos, com o endurecimento das penas por injúria racial, crimes de ódio e intolerância religiosa. Apesar disso, o entendimento dele é claro: os progressos ainda são iniciais diante de um histórico de desigualdades. O cenário, segundo Weuler, não indica estagnação, mas sim uma trajetória em construção. “Estamos engatinhando. Foram mais de 500 anos de preconceito. Ainda estamos no início, mas no caminho certo. As próximas gerações vão colher os frutos do que está sendo construído hoje”, avalia.

Durante a entrevista, Weuler também falou sobre o papel das famílias na formação de uma sociedade mais igualitária e disse que a construção de um país antirracista não compete apenas à população negra. “Dentro de casa temos que ser referência para nossos filhos. Precisamos mostrar às crianças que somos todos iguais e que ninguém deve ser julgado pela cor da pele ou pela crença.”

“Ainda temos um caminho árduo pela frente. Toda a sociedade, não só a população negra, precisa se conscientizar do que aconteceu e do que ainda precisa ser feito para caminharmos na mesma direção”, afirmou ao reforçar que o 20 de novembro precisa ser entendido não apenas como uma data comemorativa ou de luta, mas como um marco de cidadania. 

A referência que inspira

Em um momento mais pessoal da entrevista, Weuler relembrou quem o inspirou a seguir a carreira jurídica: o advogado Dr. Bernardino Santos, vizinho a quem ele ajudava lavando o carro quando criança. “Eu via aquele homem negro de terno, passando com elegância, e pensei: quero ser igual a ele. Ele é minha maior referência.”

Questionado sobre qual mensagem deixaria para uma criança negra que sonha com o futuro, Weuler é direto:

“Não desista e seja forte”.  “A população negra já está construindo um futuro positivo. Somos maioria. O pertencimento está chegando, estamos entendendo os espaços que nos cabem e estamos ocupando esses lugares. É só uma questão de tempo para que as coisas cheguem ao seu lugar”, finalizou.

Exit mobile version