Novos detalhes sobre o duplo latrocínio que vitimou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, em Belo Horizonte, revelam a brutalidade do crime confessado pela diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos. Conforme decisão judicial que converteu a prisão em flagrante da suspeita em prisão preventiva, ela teria dopado as vítimas e utilizado uma faca de caça para assassiná-las com dezenas de golpes.
A audiência de custódia da investigada foi realizada nesta sexta-feira (3), e a decisão foi assinada pela juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto. Além de decretar a prisão preventiva, a magistrada negou o pedido da defesa para que o processo tramitasse sob segredo de Justiça.
Segundo a decisão, a gravidade dos fatos e a forma como o crime foi executado demonstram elevada periculosidade da investigada.
“O modus operandi empregado revela periculosidade incompatível com o convívio social imediato, diante da consumação dos crimes de duplo latrocínio mediante violência exacerbada em face de vítimas vulneráveis, idosas em sua própria residência, seguido de fuga intermunicipal com descarte planejado de provas”, registrou a magistrada.
Crime aconteceu no primeiro dia de trabalho da suspeita
De acordo com as investigações, Paola Stefany estava em seu primeiro dia de trabalho no apartamento do casal, localizado no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ela havia sido indicada por um primo de Maria Clotilde para realizar serviços domésticos na residência.
Segundo a apuração policial, durante o almoço, a suspeita triturou comprimidos e os misturou em bebidas preparadas no liquidificador, dopando as vítimas. Após ingerirem a substância, Cláudio Atala foi dormir em um dos quartos do apartamento, enquanto Maria Clotilde permaneceu descansando na sala.
Foi nesse momento que, conforme a investigação, a diarista utilizou uma faca de caça para atacar o casal.
Violência extrema marcou o crime
As investigações iniciais apontavam que as vítimas haviam sofrido cerca de 24 golpes de faca. No entanto, exames posteriores realizados pela perícia no Instituto Médico Legal (IML) indicaram que Cláudio Atala foi atingido por mais de 40 facadas, enquanto Maria Clotilde sofreu ao menos 15 golpes.
A Polícia Civil e a Justiça destacam que o crime foi praticado com extrema violência. Após os assassinatos, segundo a investigação, Paola tomou banho no apartamento, vestiu roupas pertencentes à vítima e deixou o local levando diversos bens do casal.
Suspeita foi presa em Itabira
Depois de deixar o apartamento, a diarista teria se deslocado até a região central de Belo Horizonte, onde negociou parte dos objetos roubados. Em seguida, adquiriu um novo aparelho celular e passou por diferentes cidades da Região Metropolitana antes de retornar ao interior do estado.
A prisão aconteceu na noite da última quarta-feira (1º), em um hotel localizado em Itabira, onde ela estava hospedada acompanhada do filho de seis anos. Segundo a Polícia Civil, a suspeita confessou o crime no momento da abordagem. Conforme relato dos investigadores, ela afirmou ter sofrido um “surto psicótico” e alegou ouvir vozes que a incentivavam a matar as vítimas.
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Durante a audiência de custódia, a defesa solicitou a realização de um exame de insanidade mental para avaliar as condições psicológicas da investigada.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que ainda trabalha para recuperar joias e relógios de alto valor pertencentes ao casal e esclarecer se houve participação de outras pessoas no crime.

