Flávio Dino, ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), José Múcio, ministro da Defesa, e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, levaram na terça-feira (31), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um plano de ação do governo federal de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
No mesmo dia, pela manhã, os três se reuniram para ajustes na atuação coordenada entre as forças de segurança federais e as Forças Armadas.
Dino destaca que o plano de ajuda federal ao Rio de Janeiro consiste em duas principais frentes; primeiro, a asfixia financeira das organizações criminosas, com a atuação da inteligência e da investigação da Polícia Federal (PF), em atuação conjunta com a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ).
A segunda ação será a “asfixia logística” das facções criminosas, a partir da atuação das Forças Armadas no reforço da segurança de portos, aeroportos e fronteiras secas do Brasil.
Neste encontro com o Executivo, ficam definidas as estratégias de integração com as Forças Armadas para o combate ao tráfico de drogas e armas que entram pelas fronteiras.
Dino reforçou que o Exército não atuará diretamente no estado do Rio, apenas distante, nas fronteiras secas do país, mas com impacto na crise fluminense. “Nossa proposta é que o Exército atue na faixa de fronteira, a Marina nos portos e aeroportos fica com a Aeronáutica, utilizando os contingentes de acordo com a especialidade de cada um”, disse Dino, que ressaltou que a Constituição define uma faixa de 150 Km da faixa de fronteira, onde o exército pode atuar na defesa da soberania nacional, garantindo juridicamente a atuação do Exército e a Polícia Federal.
“O governo federal deverá oferecer ajuda ao Rio de Janeiro para, por exemplo, identificar movimentações financeiras atípicas de empresas de serviço de gás, internet, imobiliárias, distribuidoras de bebidas e pequenos comércios nas áreas dominadas por traficantes e milicianos, já que as investigações apontam que os criminosos cobram pela exploração de serviços em suas áreas de influência”, completou Dino.
Esta fase visa a dimensão da apreensão de bens e, portanto, a descapitalização das organizações criminosas com o trabalho integrado de inteligência.
A comitiva do Rio de Janeiro no encontro contou com as presenças do secretário-chefe da Casa Civil do RJ, Nicola Miccione, Marcus Amin, secretário de Polícia Civil, Flávio Porto, subsecretário de inteligência, Gustavo Ribeiro, diretor de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro e Renata Montenegro, responsável pelo Grupo de Recuperação de Ativos.

