Em um ato de protesto coordenado, diplomatas brasileiros e de outros países deixaram o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas momentos antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta quinta-feira (26), em Nova York. O movimento ocorreu no terceiro dia do evento e foi justificado como uma resposta às violações de decisões do Tribunal Penal Internacional e da Corte Internacional de Justiça.
De acordo com um embaixador brasileiro presente ao local, “o ato foi pensado como resposta ao descumprimento das decisões do Tribunal Penal Internacional e da Corte Internacional de Justiça”. Para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão também reflete o tratamento dado a Lula como “persona non grata” por Israel, o que impossibilitaria Brasília de legitimar a fala do líder israelense.
O momento da entrada de Netanyahu foi marcado por vaias e reações divididas. Enquanto diversas delegações se retiravam da sala, outras permaneceram e aplaudiram o primeiro-ministro antes e durante partes de sua intervenção. Antes do início do discurso, era possível observar o plenário parcialmente vazio, com alguns diplomatas exibindo lenços palestinos na plateia.
Em uma medida incomum, o gabinete de Netanyahu ordenou que as Forças de Defesa de Israel instalassem alto-falantes em caminhões para transmitir o discurso ao vivo na Faixa de Gaza. De acordo com o Ministério da Defesa israelense, a transmissão ocorreria apenas do lado israelense da fronteira, como parte de um “esforço de diplomacia pública”.
Fontes militares citadas pela imprensa local caracterizaram a ação como um ato de guerra psicológica. O governo israelense garantiu que a operação não colocaria em risco seus soldados. Durante sua fala, Netanyahu afirmou que o objetivo dos alto-falantes era enviar mensagens aos reféns mantidos na região.
A transmissão do discurso ocorre em meio a crescentes tensões internacionais sobre o conflito na Faixa de Gaza, com a cúpula da ONU servindo como palco para demonstrações diplomáticas de repúdio às políticas israelenses.

