Criada com o objetivo de oferecer apoio financeiro para micro e pequenos empreendedores formais e informais da cidade se inserirem no mercado, a Associação de Crédito Popular de Itabira, o Banco do Povo, enfrenta problemas financeiros severos. Sem uma solução, a instituição deverá fechar as portas.
Em reunião pública realizada nessa quarta-feira, 31 de outubro, o presidente do banco, João Torres, informou que até agosto deste ano a dívida da instituição era de R$ 70.856,51. Desse total, R$ 45.458,11 são referentes a montantes não pagos à única funcionária da financeira, Isabel Cristina Bravim Oliveira, que está há mais de um ano sem receber salários e outros direitos trabalhistas.
Na próxima segunda-feira, 5 de novembro, o Banco vai encaminhar um aviso prévio de demissão para a funcionária, para que ela possa entrar com um processo na Justiça do Trabalho para receber o que lhe é de direito.
Durante a reunião, João Torres reclamou que desde 2017 tem tentado se reunir com o prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) a fim de discutir a situação, mas que nunca foi atendido nem por ele nem pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, José Don Carlos. “Quando solicitamos a intervenção da prefeitura, o valor que precisávamos era de R$ 100 mil para quitar todas as dívidas e seguir com os trabalhos, mas demoraram tanto tempo para nos responder que agora esse valor vem crescendo cada vez mais”, disse o presidente.
Além das dívidas, o Banco do Povo sofre com a inadimplência de 11 clientes, que, entre 2001 e 2013, tomaram cerca de R$ 215 mil em empréstimo da instituição e não pagaram. O valor corrido chega a R$ 750 mil, de acordo com a direção da financeira.
No último dia 24, o secretário Don Carlos encaminhou ofício ao Banco do Povo em resposta a manifestações da direção da instituição. No documento, afirmou que o estatuto da entidade proíbe o recebimento de repasses. O argumento, no entanto, é questionado pelo presidente João Torres, segundo o qual há um artigo no regimento que permite a celebração de convênios e contratos e recebimento de doações para a execução de seus objetivos.
Na próxima semana, a direção do Banco do Povo encaminhará um ofício à Prefeitura de Itabira para informar sobre a reunião dessa quarta-feira e novamente reiterar sobre os problemas financeiros. “Caso não haja um parecer sobre a situação, está definida a dissolução da instituição”, disse o presidente. Nova assembleia está marcada para o dia 21 de novembro.

