As histórias de duas mulheres que se tornaram símbolos de resistência, memória e luta pela igualdade racial em Itabira agora estão eternizadas nas paredes da Casa da Cidadania, espaço que passa a abrigar também a Casa da Igualdade Racial. Durante a inauguração do equipamento, realizada na última terça-feira (30), foram apresentados dois grafites em homenagem a Dona Tita e Dona Rosinha, que tinham uma relação familiar marcada pela luta, resistência e construção da memória quilombola.
As pinturas foram produzidas pela artista visual e muralista Daniele Oliveira e retratam duas referências do Quilombo Santo Antônio. Dona Rosinha era sobrinha de Dona Tita, matriarca da comunidade, que ajudou a criar a liderança quilombola ao longo da vida.
A homenagem a Rosemary Alvares de Souza, conhecida como Dona Rosinha, começou a ser construída durante o Festival da Cajá, realizado em junho em Itabira. Na ocasião, Daniele produziu um mural em memória da escritora, ativista quilombola e liderança comunitária, que morreu no dia 4 de junho deste ano, aos 67 anos.
Poucas semanas depois da morte de Dona Rosinha, em 22 de junho, Dona Tita também faleceu. Nascida em 1924 no Quilombo Santo Antônio, ela construiu uma história de mais de um século marcada pela resistência, pelo cuidado com a comunidade e pela preservação das tradições quilombolas.
Responsabilidade com o legado
Para Vinícios Souza, filho de Dona Rosinha e sobrinho de Dona Tita, as homenagens representam o reconhecimento de um legado construído ao longo de décadas. “A gente vê com bons olhos e fica com gratidão por tantas homenagens recebidas pela perda da minha mãe e da Tita. O que elas construíram, principalmente minha mãe dentro de Itabira, pelo que eu conheço, poucas pessoas conseguiram deixar um legado tão grande na questão social”, afirmou.
Segundo ele, a memória deixada pelas duas também traz a responsabilidade de continuidade da luta. “Esse legado que fica é uma responsabilidade muito grande, porque não pode deixar essa chama apagar”, disse.
O prefeito Marco Antônio Lage (PSB) também ressaltou a importância de Dona Tita e Dona Rosinha como referências para o município. “É através da Casa da Cidadania que nós encontramos Dona Tita e Dona Rosinha. infelizmente elas nos deixaram, mas são duas referências que ficam e que vão estar presentes aqui. Duas referências matriarcas, quilombolas, que nos inspiram e vão continuar nos inspirando todos os dias pela luta pelo trabalho da igualdade social”, afirmou.
Durante a cerimônia, o prefeito também destacou iniciativas voltadas às comunidades quilombolas de Itabira, como o programa Cidade Quilombola, que prevê ações relacionadas a serviços públicos, estrutura urbana, transporte, educação, saúde e preservação da memória.
A Casa da Igualdade Racial de Itabira é a primeira unidade do tipo inaugurada em Minas Gerais. O espaço tem como objetivo oferecer acolhimento, orientação e atendimento à população vítima de racismo, além de promover ações de formação e fortalecimento da população negra no município.
A cerimônia contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, do titular da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), Clédisson dos Santos, da coordenadora da unidade, Nyara Crispim, além de representantes de movimentos sociais e do poder público.

