O título acima é apenas ilustrativo, simples ilusão de ótica. Não há a mais remota possibilidade da miragem insinuada virar realidade. A narrativa, portanto, é ficcional. O piromaníaco Donald Trump ordenaria a agressão? Talvez sim, talvez não. O homem é despirocado e tem plena autonomia para chegar a este ponto. Mas, veja bem. Caos mental não é sinônimo de idiotice crônica (idiota, aqui, foi citado no contexto da Ágora de Atenas). Este esclarecimento se faz necessário, embora óbvio.
Agora (sem acento agudo), viajaremos para a ilha da fantasia. E, neste instante, entra em campo um conto da carochinha. Vamos lá. Era uma vez um STF que determina o cumprimento da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em regime fechado, no Complexo da Papuda. Consequência imediata. O todo-poderoso dos Estados Unidos não concorda com a decisão da Suprema Corte tupiniquim e, para retaliar, ordena o imediato deslocamento da Sexta Frota para as proximidades do litoral brasileiro. A demonstração de força não surte o efeito desejado. A esquadra se aproxima ameaçadoramente das belas praias baianas. A Defesa Nacional, todavia, não move uma palha para conter a ofensiva. O governo brasileiro emite nota protocolar de protesto. Lula aproveita a oportunidade e joga para a plateia de olho nas eleições de 2026.
A escalada, no entanto, chega ao seu limite máximo e um míssil modelo “pé de chinelo” atinge Salvador. Uma ligeira artimanha para causar susto. Aí complicou geral. Mesmo porque, meus prezados, o planeta todo pagará o pato pela ousadia do caricato político americano. E nada acontece em Pindorama. O “poderosíssimo” aparato bélico do Brasil continua no “modo cochilo”. E nem poderia ser diferente. O contra-ataque vem de outras bandas, bem distantes e muito mais poderosas. A encrenca da geopolítica atinge tensão imensurável. Por um único motivo. O bananal da América do Sul não é Panamá, Groelândia, Irã, Canadá ou Venezuela. O buraco é bem mais embaixo (no Cone Sul).
O Brasil é extremamente estratégico. O país — “abençoado por Deus e polarizado por natureza” — é dono de rico, vasto e cobiçado subsolo. Aqui é moradia preferencial das terras raras, por exemplo. E mais. O pulmão do mundo também se localiza neste ponto do globo. Afinal, “a Floresta Amazônica é nossa”. Anote em seus devaneios utópicos às avessas. Uma pragmática ação militar do psicopata da Casa Branca contra o Brasil provocaria imediata reação de aliados estratégicos. A decadente União Europeia até espernearia com habitual e inócua retórica. Os governantes do Velho Mundo, hoje em dia, têm comportamento de cachorro caramelo. Produzem muito barulho para pouca eficácia.
No BRICS, entretanto, a temperatura subiria drasticamente. As potências do grupo colocariam as mangas (ou artefatos atômicos) imediatamente de fora. A Rússia é dona do maior arsenal nuclear do planeta. Tio Sam, por sua vez, ocupa a segunda posição nesta corrida patética. A China desponta logo em seguida. Moscou e Pequim são parceiros incondicionais do Brasil ou “companheiros” para o que der e vier. Este é o script do mais letal conflito de todos os tempos. E qual seria o desfecho deste trágico enredo? Elementar, meu caro Watson. Este quebra-quebra imaginário significaria o epílogo da aventura humana neste belo asteroide azul. O confronto seria o mais letal da história, um imenso suicídio coletivo digno do Livro Guinness dos Recordes. Uma pena. Não sobraria ninguém para folhear as páginas da publicação.
O imperador do universo teria coragem suficiente para iniciar a catástrofe definitiva? Tudo é provável. Mesmo porque, o imprevisível vive na cabeça do cara. Mas, tem um porém. Poder nem sempre combina com coragem. Donald Trump trata os EUA como uma das suas empresas. Logo, o republicano (sic) é detentor de mando ilimitado. E pior. A ex- maior democracia apresenta configuração de totalitarismo fascista. Lá, a Suprema Corte está dominada e o Legislativo é curral de manso gado.
Orange ainda não fez uma loucura porque morre de medo da dupla Xi Jinping /Vladimir Putin. Na verdade, o neocsar do Kremlin transformou o pato Donald no grande palhaço do picadeiro das Relações Internacionais. Então, não se preocupe. Sambe e curta futebol à vontade. O Brasil não corre risco algum de sofrer invasão dos gringos norte-americanos. Vem aí, no máximo, um ataque de verborragia. Tudo bem. A Terra de Santa Cruz possui armas suficientes para encarar um acirrado bate-boca. E, neste quesito, acho até que Trump não é páreo para Lula. A nossa pátria é o paraíso da conversa fiada. Esta crônica é a prova cabal desta constatação.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.
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