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Economista diz que mineração é dádiva que pode virar maldição se mal utilizada

A mineradora Vale convidou a imprensa de várias das cidades onde atua para uma roda de conversa com o economista e professor da Universidade de São Paulo (USP), João Furtado. O “bate-papo” ocorreu na manhã desta quarta-feira, 19 de outubro, no Memorial Minas Gerais Vale, na praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O especialista falou sobre a mineração e outros pontos, como o avanço da China no cenário econômico. Para ele, a atividade extrativista que segura a economia de Itabira é uma dádiva, mas que pode se transformar em uma maldição se mal utilizado.

“Não adianta ter vento bom se você não sabe navegar. Não existe recurso natural. As pessoas criam os recursos ou padecem com eles”, defende João Furtado. Para o economista, qualquer matéria prima pode aquecer uma economia, desde que bem administrada pelas autoridades públicas. “Os recursos dependem das pessoas. A riqueza está nas pessoas”, afirmou.

“Entre o minério, que nunca ocorre isolado, e o seu uso pelas atividades humanas de produção industrial e consumo, existe um longo, muito longo percurso. É este percurso que cria o recurso natural e mostra que ele só se tornou recurso por intervenção humana.” Segundo João Furtado, economia não deveria ser um assunto desprezado pelas pessoas. “Economia é algo muito importante para ficar nas mãos apenas de economistas”, disse.

Outro ponto abordado pelo economista foi sobre a legislação a respeito da mineração. Questionado se acredita em uma lei mais rígida sobre a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), ele disse duvidar. “Na minha trajetória, eu não conheço leis que funcionem sem que estejam em comunhão com as leis de mercado”, pontuou. “Não adianta, na hora que o trem estiver passando, colocar uma lei na frente. Não dá certo”, completou.

João Furtado é doutor em economia e tem especialização em Estratégias e Políticas Industriais e Tecnológicas. Foi assessor da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre “Atraso Industrial e Tecnológico do Brasil”, da Finep e do BNDES. O especialista desenvolve atividades universitárias, apoia instituições públicas de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, e é sócio-diretor da Elabora Consultoria, empresa de apoio à formulação e implantação de estratégias de desenvolvimento tecnológico e inovação.

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