O novo acordo entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) prevendo tarifas de 15% ao invés de 30%, sobre parte dos produtos europeus exportados para o mercado americano foi classificado por Donald Trump “como o maior acordo já fechado em matéria de comércio.” Por outro lado, economistas e líderes políticos, do velho continente lamentam o pacto, classificando-o como “o dia mais sombrio para a Europa, que aceita submeter-se a esse acordo comercial”, é o que pensa também o primeiro-ministro francês, François Bayrou.
“É um dia sombrio aquele em que uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, se resigna à submissão, ” diz Bayrou em publicação na plataforma X.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, aliado de Trump, fez um comentário ácido nas redes sociais sobre a presidente da Comissão Europeia.
“Donald Trump não negociou com Ursula von der Leyen? Ele a devorou no café da manhã”, classificando o acordo como pior do que o fechado com o Reino Unido em maio.
O tratado foi negociado em Turnberry, na Escócia e selado após uma hora de conversas entre os dois líderes, Trump e Ursula.
Segundo o jornal Le Monde, os líderes europeus cederam uma vitória política a Trump para evitar uma guerra comercial.
O acordo foi finalizado após dezenas de horas de negociações entre comissões e a apenas cinco dias antes de vigorar a tarifa de 30% imposta por Trump aos europeus.
O economista Thierry Mayer, professor da Universidade Sciences Po de Paris, em entrevista ao repórter Alexis Bédu, ressaltou que a União Europeia poderia ter obtido mais vantagens no pacto.
“Desde o início, a administração Trump tinha como objetivo uma tarifa mínima de 10%. É surpreendente que a UE tenha aceitado uma taxa de 15%, superior à obtida pelo Reino Unido, de 10% para a maioria dos seus produtos. Dado o peso comercial do bloco europeu, esperava-se uma posição de negociação mais forte. Alguns setores serão afetados, mas, no geral, o impacto pode ser limitado, já que grande parte do comércio europeu ocorre dentro do próprio bloco”.
Faltam maiores detalhes sobre o acordo, mas o texto não abrange setores estratégicos como o aeronáutico, compostos químicos e matérias-primas específicas. No entanto, as taxas de 50% continuam valendo para exportações de aço e alumínio.
Eric Dor, economista e diretor de Estudos Econômicos da Escola de Administração (IESEG), afirma que o pacto foi “extremamente negativo” para os europeus. “É como uma capitulação diante dos Estados Unidos’, destacando que antes do governo Trump, as tarifas americanas sobre produtos europeus eram em média de 4,8% e subiram para 15%. Mais que triplicaram.”
Dor prossegue: “O acordo implicará a transferência de fábricas europeias para os EUA para abastecer o mercado europeu. Em troca, os europeus irão isentar de tarifas produtos americanos que entram na Europa. Portanto, extremamente desigual”.
Maros Sefcovic, comissário europeu de Comércio defendeu o acordo, afirmando que “a estabilidade é preferível que a imprevisibilidade total”, opinião compartilhada por Bart de Wever, primeiro-ministro da Bélgica, que classificou o momento “de alívio, mas não de comemoração”.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, em tom resignado afirmou que o acordo “evitou uma escalada inútil nas relações transatlânticas”, e observou que a redução e tarifas no setor automotivo de 27,5% para 15%, foi um ganho importante”.
Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana celebrou a estabilidade do pacto, mas afirmou que vai aguardar maiores detalhes para opinar sobre.
O ministro francês Benjamin Haddad, encarregado de Assuntos Europeus, classificou o acordo de “desequilibrado”, acusando Washington de “coerção econômica”, ignorando as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
*Fonte: UOL
