Em crise financeira sem precedentes em sua longa história, os Correios contrataram uma empresa de consultoria para elaborar estudos de reestruturação da estatal.
O contrato, sigiloso, foi com a consultoria Mckinsey, no valor de R$ 57 milhões, assinado no último dia 28 de abril.
A consultora já havia sido contratada na gestão do ex-presidente Fabiano Silva dos Santos, para estruturar um empréstimo internacional junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), banco dos Brics, do qual o Brasil é membro e tem na presidência da instituição a -ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A operação não avançou.
Apesar do sigilo do contrato, pessoas com conhecimento no assunto garantem que o documento indica a possibilidade de transformar a empresa em sociedade de economia mista, modelo que mescla capital público e privado, mas mantém o controle da gestão e a maioria das ações com direito a voto sob o governo, possibilidade que já vinha sendo estudada pelo governo no que os Correios chamam de última fase do plano de reestruturação, quando deverão ser adotadas medidas visando o longo prazo da empresa.
Procurada, a estatal confirmou o contrato afirmando que o contrato tem a finalidade a prestação de serviços de consultoria técnica especializada para elaboração e apoio à implementação da “Fase 3” do Plano de Reestruturação dos Correios, contemplando o reposicionamento da empresa no mercado.
“Dessa forma, a contratação da consultoria externa prevê a realização de diagnósticos organizacionais, definição de diretrizes estratégicas, modelagem de cenáriose proposição de medidas estruturantes voltadas ao aumento da eficiência operacional, sustentabilidade econômico-financeira e adequação do modelo de negócios aos desafios atuais enfrentados pela empresa”.
A explicação do contrato prossegue: “A contratação por dispensa de licitação ocorreu em razão da notória especialização da contratada para a execução de serviços técnicos de natureza predominantemente intelectual, de elevada complexidade e caráter estratégico, com fundamentação de preços baseada em relatório de auditoria independente”.
Sobre a contratação da Mckinsey na gestão anterior, a estatal disse que ela teve por objetivo a estruturação técnica do projeto de financiamento internacional, cuja proposta está em fase final de negociação com o New Development Bank (NDB/Brics).endas”.
Os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas, desde 2022.
No final de 2025, a empresa conseguiu fechar um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, com o valor depositado integralmente no dia 30 de dezembro.
Para fugir da crise, a estatal tenta uma reestruturação, e aposta na demissão voluntária para sua recuperação econômica. O Plano de Demissão Voluntária (PDV) terminou com a adesão de cerca de 3 mil funcionários, 30% da meta prevista pela empresa, de 10 mil desligações, para proporcionar uma economia de R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal a partir do próximo ano.
*Fonte: O Globo

