Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro (PL) e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, prestou depoimento na sede da Polícia Federal, na segunda-feira (8), em Brasília. Torres é investigado no inquérito que apura a suspeita de que, nas eleições de 2022, parte da Polícia Rodoviária Federal (PRF) atuou para dificultar o acesso de eleitores de regiões onde o então candidato de oposição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tinha vencido o primeiro turno.
O ex-ministro Anderson Torres ficou na sede da PF por cerca de 3 horas e, diferente das oitivas de janeiro, quando resolveu ficar calado, desta vez respondeu a todas as perguntas.
Em seu depoimento, o ex-ministro declarou que foi à Bahia a convite de Márcio Nunes, ex-diretor da Polícia Federal. A reunião entre os dois teria ocorrido no dia 25 de outubro e, segundo Anderson, foi para tratar da atuação das polícias nas eleições e negou ter interferido nas operações da PRF no segundo turno das eleições de 2022. “Solicitei ao Superintendente da PF na Bahia, Leandro Almada, que a PRF atuasse onde a PF não estivesse presente”, declarou.
Entenda
O depoimento aconteceu devido à suposta interferência dele nas ações da PRF em estados do Nordeste, em outubro passado, sobre blitzen que dificultaram a votação de eleitores.
A ação aconteceu no segundo turno do pleito, quando a disputa se concentrou entre o então presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição, e Lula. As blitzen foram realizadas apenas no Nordeste, região em que o petista concentra maior número de votos.
A Polícia Federal quer saber se essas operações tinham por objetivo impedir que os eleitores pudessem votar, interferindo no resultado do pleito.
Já a sua detenção ocorre por conta de uma investigação que apura sua participação nos atentados do dia 8 de janeiro, quando extremistas invadiram as sedes dos Três Poderes.

