Em discurso nesta sexta-feira (23), na Cúpula do Novo Pacto de Financiamento Global, promovida pelo presidente francês Emmanuel Macron, em Paris, o presidente da República Luiz Inácio “Lula” da Silva (PT) voltou tecer críticas ao teor da carta enviada pela União Europeia ao Mercosul. Diante de lideranças mundiais, o petista afirmou que o texto é uma ameaça a um parceiro estratégico.
Aos parceiros executivos mundiais, Lula disse que “está doido para fazer o acordo comercial com a União Europeia, mas a carta adicional que foi feita não permite esse acordo”.
“Nós vamos fazer uma resposta. Não é possível que temos uma parceria estratégica com uma carta adicional fazendo uma ameaça a um parceiro estratégico”.
Lula faz menção de um adendo da UE ao acordo assinado pelos dois blocos intercontinentais, anexando compromissos de sustentabilidade e mudanças climáticas e introduzindo penalidades às nações que não cumprirem as metas climáticas traçadas no Acordo de Paris de 2015.
Já em coletiva de imprensa na Itália, o presidente da República também chamou de inaceitável a decisão da União Europeia em punir os países do Mercosul, quando eles próprios não cumprem as determinações.
Lula já havia sinalizado à presidente da Comissão Europeia, Ursula von Der Leyen, no início do mês, quando de sua visita ao Brasil, a preocupação com os instrumentos adicionais ao acordo pela UE, impondo obrigações e sanções em caso de descumprimento.
“A premissa que deve existir entre parceiros estratégicos é a da confiança mútua e não de desconfiança e sanções”, disse Lula. A presidente da Comissão Europeia, Ursula, afirmou acreditar que já está na hora de os blocos concluírem o acordo, que está em discussão desde 1999 e foi assinado dez anos depois, em 2019, mas ainda necessita ratificação de todos os países que compõem os mercados distintos.

