O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Itabira enviou uma nota à imprensa informando que identificou, na manhã desta quinta-feira (25), um vazamento subterrâneo na avenida Mariana, no bairro Jardim das Oliveiras. De acordo com a autarquia, o problema foi a causa da baixa pressão e da falta de água em ruas dos bairros Bela Vista, Nova Vista e Jardim das Oliveiras.
“Um vazamento subterrâneo, também chamado de vazamento oculto, ocorre quando há uma ruptura na tubulação abaixo do solo ou de estruturas como passeios, muros ou vias públicas. Diferente dos vazamentos aparentes, em que a água aflora na superfície, os subterrâneos são de difícil detecção, pois a água escoa de forma silenciosa e invisível até ser percebida por alterações no sistema”, aponta trecho da nota do Saae.
Ainda conforme a autarquia, no caso identificado na avenida Mariana, a ocorrência foi causada pela ruptura da rede de distribuição de água. “O vazamento não chegou a aflorar na superfície porque a água infiltrou no solo e escoou até uma caixa de passagem de esgoto, de onde seguiu para a rede principal. A situação foi detectada por um técnico durante uma vistoria realizada para localizar a origem do problema”, acrescenta a nota.
O Saae também informou que realizou os reparos necessários ainda durante a manhã desta quinta-feira e que o abastecimento na região será retomado de forma gradativa, à medida que a rede de água é preenchida e a pressão normalizada.
Protestos
Na terça-feira, moradores do bairro Jardim das Oliveiras promoveram uma manifestação após passarem vários dias sem água. Eles atearam fogo em pneus, interditando o trânsito de veículos nas proximidades das ruas Ouro Preto e Venda Nova.
Já na quarta-feira (24), um grupo de moradores iniciou um novo protesto na rua Arco Íris (antiga rua Um), no bairro Nova Vista, também em decorrência da falta de água no bairro. Porém, após colocarem objetos na via para atearem fogo e chamar a atenção das autoridades para o problema, viaturas da Polícia Militar chegaram e desarticularam a ação dos manifestantes.
Na ocasião, o Saae enviou caminhões-pipa para abastecer as caixas d’água na região. No mesmo dia, após contato do radialista Vagner Ferreira, da Rádio Caraça FM, a autarquia informou que durante o dia dois caminhões-pipa já haviam sido encaminhados à comunidade e que encaminharia outro veículo para dar suporte aos moradores afetados.
Racionamento está em vigor
Desde quarta-feira (24), Itabira passa por um racionamento na distribuição de água, em razão da severa estiagem que atinge o município e compromete o nível dos mananciais. A medida, aprovada pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG), terá validade até 30 de novembro, podendo ser prorrogada caso o cenário crítico persista.
De acordo com o plano emergencial do Saae, a cidade foi dividida em seis regiões. Cada uma terá o fornecimento interrompido um dia por semana, das 7h30 às 21h. Aos domingos, não haverá suspensão. “O ‘Plano de Racionamento’ é uma estratégia técnica para garantir justiça no acesso à água, mesmo em cenário de escassez. É a forma de distribuir o recurso de maneira equilibrada entre todos os bairros”, afirma o presidente da autarquia, Valdeci Fernandes Júnior.
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Situação crítica dos mananciais
A falta de chuvas entre abril e setembro reduziu drasticamente a vazão das principais estações de tratamento de água (ETA) de Itabira. A ETA Pureza, que atende 60 bairros, caiu de 130 l/s para 94 l/s, mesmo após a implantação de uma captação emergencial em agosto.
Já a ETA Gatos, responsável por quase um quarto da cidade, opera com apenas 20 l/s — contra 80 l/s em períodos normais. Ao todo, essas duas unidades abastecem cerca de 80 mil moradores, o equivalente a 74% da população.
Ações já em andamento
Para mitigar os efeitos da estiagem, o Saae vem adotando uma série de ações desde agosto. Entre elas, estão:
- Captação emergencial no córrego Rio de Peixe, com reforço diário de até 5 mil m³;
- Aumento do fornecimento de água importada pela Vale (TAC 4) em 1.296 m³ por dia;
- Reúso de água na ETA Gatos, recuperando 180 m³ por dia;
- Correção de mais de mil vazamentos para reduzir perdas na rede;
- Campanhas educativas de conscientização para o uso racional da água.
Serviços essenciais terão prioridade
A Prefeitura de Itabira e o Saae garantem que unidades de saúde, escolas, creches, asilos e outros serviços públicos essenciais não serão prejudicados. Em caso de necessidade, caminhões-pipa serão disponibilizados mediante solicitação.
A administração municipal pede à população que colabore com o uso consciente da água durante o período de racionamento, destacando que a medida é indispensável para atravessar uma das estiagens mais severas já registradas no município.

