A 52ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Itabira) sabatinou na noite dessa segunda-feira, 5 de setembro, o candidato à prefeitura de Itabira Bernardo Mucida (PSB). O socialista falou aos advogados, na sede do órgão, sobre propostas e plano de governo e respondeu a questionamentos. No encontro, Mucida assegurou, caso seja eleito, o compromisso de articular em favor da implantação da Justiça Federal em Itabira, concretizar doação de terreno à OAB no Esplanada da Estação e restabelecer convênio para a prestação jurisdicional gratuita no município, onde não há a Defensoria Pública.
Bernardo Mucida chegou pontualmente ao primeiro dia do evento “Conversa com os Advogados”, agendado para as 19h. Acompanhado do vice, Geraldo Torrinha (PHS), o candidato cumprimentou os presentes e, aberto o debate, apresentou suas propostas por 30 minutos. Na sequência, respondeu às perguntas do pequeno público que compareceu ao auditório da subseção, por mais meia hora.
Mucida citou o currículo: é advogado e mestre em Ciências Políticas. Destacou o posto de vereador, que ocupa atualmente, e afirmou que o cargo o permitiu maior aproximação com a população itabirana e contribuiu à experiência sobre gestão pública. Em resumo, o candidato do PSB citou a estratégia de uma campanha enxuta e sem grandes coligações e “parcerias”. A seu ver, “vencer com liberdade é requisito para administrar bem e montar uma equipe tecnicamente mais preparada”.
O postulante ao Executivo municipal estimou que o próximo prefeito terá de lidar com um déficit aproximado de R$ 100 milhões nas contas do governo. A política fiscal foi elencada como prioridade. Mucida antecipou que pretende reduzir secretárias e contingenciar gastos.
O plano de governo apresentado pelo candidato prevê recuperar serviços públicos sucateados e investir na diversificação econômica a partir de arranjos produtivos como serviços de saúde de média e alta complexidade; apoiar a vocação regional da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi); concluir o projeto total de implantação da Universidade Federal de Itajubá (Unifei); auxiliar produtores e fomentar desenvolvimento rural; fortalecer o turismo da cidade e explorar, nesse âmbito, o legado de Carlos Drummond de Andrade; além de fomentar indústria criativa e o Parque Científico e Tecnológico. “Há um horizonte de mais 16 anos da Vale em Itabira no patamar em que está”, alertou.
Sabatina
Advogados levantaram uma reivindicação antiga da classe: a doação de um terreno que possibilite a construção da sede da OAB em endereço próximo ao Fórum Desembargador Drummond, no bairro Esplanada da Estação. O terreno a ser cedido já teria sido apontado, mas não avançou na Prefeitura de Itabira. Bernardo Mucida pactuou o compromisso em despachar o assunto.
Questionado sobre propostas que contemplem a advocacia itabirana, o candidato pontuou o interesse em restabelecer o convênio que era mantido pelo governo municipal com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para a realização da assistência judiciária gratuita. A parceria foi extinta no primeiro semestre de 2015. O candidato também falou em pressionar a vinda da Justiça Federal e mais juízes para o Foro da Comarca.
Mucida foi indagado sobre posicionamentos que poderiam ter ido contra interesses de servidores municipais, como o projeto de lei que trata da redução da carga horária de funcionários do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). O vereador votou contra o projeto e reafirmou que para a aprovação da matéria, que o governo queria a toque de caixa, era necessário estudo de impacto. O socialista disse que quer valorizar o servidor público, além disso, implantando meritocracia e gestão “mais qualificada”.
A dobradinha com Geraldo Torrinha foi questionada como sendo um contraste “nova política x velha política”. O candidato rechaçou o comentário e disse que a escolha do vice ocorreu por convicções políticas semelhantes e o currículo do companheiro, que está há 16 anos na vida política. “Nunca ouvi um apontamento contra a ética e honestidade de meu vice”, ressaltou.
Finalmente, o candidato foi perguntado sobre metas para lidar com o déficit nos cofres públicos. Mucida falou de “enxugar o governo” com medidas como agrupar secretarias afins e cortar o número de cargos comissionados. Na resposta, o político fez críticas ao convênio firmado com a Fundação São Francisco Xavier, atual gestora do Hospital Municipal Carlos Chagas. Para ele, custos precisam ser repensados. “O contrato do HMCC é caro e inviável a médio prazo”.
Às 19h desta terça-feira, a OAB receberá, por sua vez, o candidato Damon Lázaro de Sena (PV). O convidado da quarta-feira, Gil César José Lopes (PMDB), será remanejado para a próxima segunda, em virtude do feriado nacional de 7 de setembro.

