O salão do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmon-Metal) foi palco de uma importante palestra na noite desta quinta-feira, 15, que teve como tema a violência contra a mulher. A ArcelorMittal Monlevade, a Rede Doctum e o sindicato são parceiros nesta iniciativa, que busca envolver a população a cerca do assunto.
A mesa que conduziu a palestra foi presidida pela advogada e professora Ariete Pontes de Oliveira. Ela é idealizadora do projeto “Ciranda, Cirandinha, Vamos Todxs Cirandar”,que tem como foco o enfrentamento da violência contra a mulher. O diretor da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, José Quirino; o presidente do Sindmon-Metal, Otacílio das Neves Coelho; e o gerente de Recursos Humanos da ArcelorMittal Monlevade, Vander Ferraz Neves são os representantes das entidades parceiras do evento.
O debate teve grande adesão popular. Além de acadêmicos, moradores de bairros do entorno e representantes de outras instituições prestigiaram a palestra. Ariete Oliveira abordou as formas de violência contra a mulher, desde a física até a psicológica. Com exemplos pontuais e corriqueiros no dia-a-dia da mulher, ela especificou ainda como a Lei Maria da Penha pode ser aplicada nestes casos.
Números em João Monlevade
Especificamente sobre João Monlevade, os números apresentados são alarmantes. Em 2017, foram registrados 572 casos de violência contra a mulher. Já em 2018 foram 519 casos contabilizados. Segundo Ariete, em sua maioria os casos são de violência física. “Este números são de casos denunciados. Infelizmente pode ser muito maior caso a vítima não tenha procurado a polícia”, destacou.
Outro ponto lamentado pela advogada é a ausência de uma casa de acolhimento às mulheres vítimas de violência em João Monlevade. Para ela, este é um dos principais motivos pelo receio da vítima em denunciar. “Muitas vezes as mulheres são dependentes economicamente do homem. A falta de um local próprio para buscar o enfrentamento é de se lamentar”, declarou Ariete.
Ao final, a advogada citou que é preciso o empoderamento nesta causa. “Já temos alguns avanços, como o fato a Organização dos Advogados do Brasil (OAB) não garantir registro a homens processados pela lei Maria da Penha. Outro avanço é a tramitação de projeto que determina que homens acusados de violência doméstica não ocupem cargo público”, informou. Ao final, a advogada agradeceu os presentes e convocou a população a acolher as mulheres vítimas de violência. “Conversas, denunciar à polícia quando presenciar uma agressão são forma de acolhimento e enfrentamento. Sejamos atuantes desta forma”, reiterou Ariete.

