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Escola do Legislativo promove palestra de conscientização sobre o autismo com alunos da EEMZA

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Em 2 de abril, foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Fazendo alusão à data, a Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Itabira, realizou nesta quinta-feira (25), mais uma edição do “Projeto Ativar a Cidadania – Roda de Saberes”, promovendo uma palestra de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) para alunos do 9º ano da Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio (EEMZA). 

Quem ministrou o encontro foi a advogada itabirana Amanda Teixeira, que é autista e mãe de duas crianças que também possuem o TEA. A palestra buscou explicar e tematizar sobre o que é o TEA e a importância do diagnóstico precoce, do respeito e da inclusão aos portadores. Além de comentar sobre o Transtorno do Espectro Autista, a advogada compartilhou suas vivências em relação ao seu diagnóstico e de seus filhos, que possuem seis e onze anos. Em entrevista à DeFato, Amanda Teixeira contou que foi diagnosticada com autismo nível 1 de suporte aos 36 anos, pouco após ser mãe pela primeira vez. Somente a partir daí, que ela iniciou todo mapeamento e acompanhamento de psicólogos e neurologistas, o que “deu sentido” a muitas das questões que ela passou durante a vida. 

O bate-papo com os alunos teve um sentido ainda maior, quando Amanda conheceu o Arthur, garoto que também possui TEA e estava no grupo de alunos da roda de conversa. “Quando me viu com o cordão de girassol, ele falou: “Você também usa cordão de girassol?”. Só tinha ele na sala com o cordão, ele vê um adulto com o mesmo cordão e pergunta: “Você é autista? Eu também sou”, comentou Amanda, visivelmente emocionada. Nas redes sociais, a advogada partilha muitas questões que envolvem os seus filhos e o autismo. No entanto, a palestra na EEMZA foi a primeira oportunidade em que a advogada teve a iniciativa de falar sobre sua própria vivência. 

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

“Quando eu venho falar com esses jovens e conto a minha experiência pessoal, eu arranco deles dúvidas, ainda que não faladas, mas expressadas pelo olhar. tive a oportunidade de mostrar para eles que existem limitações e hiperfocos, mas os autistas estão em todos os lugares e podem ser o que quiser”

Na última terça-feira (16) Carlos Teixeira Gomes Ferreira Nazarra, de apenas 13 anos, foi morto após ter sido agredido por estudantes na escola em que estudava, em Praia Grande, litoral de São Paulo. O garoto era autista e sofria bullying por parte dos colegas. Ao comentar sobre a importância do diálogo sobre o TEA, Amanda afirmou: “Essa iniciativa ajuda a reforçar, a capacitar e acolher, porque a base são as nossas crianças, jovens e adolescentes. A gente não começa a capacitar depois que viramos adultos, tem que pegar a base da pirâmide, na primeira infância e na adolescência. Esses são os nossos adultos de amanhã”

Ativar Cidadania

Nos meses anteriores, a iniciativa da Escola do Legislativo já havia levantado debates em escolas sobre bullying, violência contra a mulher, saúde mental e a saúde da mulher. Ana Luiza Torres Lage Silva, diretora da Escola do Legislativo, comentou sobre mais uma ação do “Ativar a Cidadania”. “É um projeto muito importante porque a gente consegue levar a questão da cidadania daqui da Câmara, do Legislativo, para as escolas, abordando os jovens, os cidadãos em geral”.

“Hoje por coincidência, o Arthur, que é uma criança autista, estava participando do evento. Conheço ele desde de bebê, nossas famílias convivem e a gente sabe muito bem como é a rotina e como pode ser sofrido caso não tenha o apoio necessário. Vamos continuar nessa luta para levar mais conscientização e bem-estar para todos”, disse a vereadora e presidente da Escola do Legislativo, Rosilene Félix (PRD).

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Saiba mais

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o autismo afeta uma em cada 100 crianças em todo o mundo. O Transtorno do Espectro Autista é caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social, podendo envolver outras questões como comportamentos repetitivos, interesses restritos, problemas em lidar com estímulos sensoriais excessivos (som alto, cheiro forte, multidões), dificuldade de aprendizagem e adoção de rotinas muito específicas.

O TEA pode se manifestar em três níveis, que são definidos pelo grau de suporte que a pessoa necessita: nível 1 (suporte leve), nível 2 (suporte moderado) e nível 3 (suporte elevado). É importante ter um diagnóstico precoce, já que os primeiros sinais do transtorno podem aparecer no segundo ano de vida.

No Brasil, existe uma Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, conhecida como Lei Berenice Piana, criada em 2012, que garante aos autistas o diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além do acesso à educação, proteção social e trabalho.

Além disso, a política nacional considera o autista pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Em 2020, outra legislação, a Lei Romeo Mion, cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), que pode ser emitida gratuitamente por estados e municípios. A Ciptea é uma resposta à impossibilidade de identificar o autismo visualmente, facilitando a ele o acesso a atendimentos prioritários e a serviços a que tem direito, como estacionar em uma vaga para pessoas com deficiência.

A pessoa com TEA têm direito a receber um salário mínimo (R$ 1.412) por mês, por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), caso seja incapaz de se manter sozinha e a renda per capita da família for inferior a um quarto do salário mínimo, ou seja, R$ 353.

 

*** Com informações da Agência Brasil 

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