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Especialista explica os procedimentos necessários para reduzir riscos em edificações durante o período chuvoso

Confira os procedimentos necessários para reduzir riscos em edificações durante o período chuvoso

Perito Gerson Campera. Foto: Montagem/Ramon Agostinho/Freepik

As semanas de chuva intensa em Minas Gerais acenderam um alerta para moradores e gestores de condomínios em relação à segurança da estrutura das edificações após grandes volumes pluviométricos. O tema ganhou peso após tragédias recentes no estado, como o desabamento de um lar de idosos em Belo Horizonte, com 12 mortes e mobilização de cerca de 140 bombeiros. Na Zona da Mata, a soma de vítimas fatais chegou a 72, com Juiz de Fora entre os municípios mais atingidos.

Para orientar quais providências devem ser tomadas no meio do período chuvoso, o DeFato ouviu o perito e engenheiro Gerson Campera, diretor e sócio da Brasil Perícias Especializadas & Engenharia. Ele reforça que os danos em edificações raramente aparecem “do nada” e que a diferença entre prevenção e improviso costuma definir o tamanho do prejuízo.

“Tem uma percepção comum de colocar a culpa na chuva, como se fosse fatalidade. Só que existe hidrologia, existe planejamento e existem medidas que deveriam estar prontas antes do pico de precipitação. A chuva, sozinha, não explica a tragédia. O que pesa é a falta de drenagem, a impermeabilização e a ausência de avaliação técnica ao longo do tempo”, afirma Campera.

Os sinais mais frequentes após sequências de chuva envolvem infiltrações novas, manchas que avançam, surgimento ou reincidência de mofo, aumento de trincas e portas e janelas que passam a “pegar”. Para o especialista, alguns indícios exigem atenção imediata.

“Toda estrutura avisa antes de entrar em colapso. Trinca não é maquiagem para pedreiro cobrir com massa. Quando aparece fissura, infiltração, recalque, o caminho é identificar a causa com profissional habilitado. Se você sela por fora, o problema continua evoluindo por dentro. E às vezes, quando volta a chover, não dá tempo de reagir”, diz.

Campera também chama atenção para um tipo de trinca que costuma indicar movimentação desigual da estrutura.

“Quando a fissura aparece em 45 graus, é a pior delas, porque pode significar recalque diferencial, um lado abaixando mais do que o outro. Nesse cenário, não é para esperar ‘ver se para’. É para chamar um especialista, de preferência um calculista, e avaliar o que precisa ser feito, muitas vezes com reforço de fundação”, afirma.

Entre o primeiro sintoma e a solução, o passo a passo muda conforme o caso, mas há um roteiro básico que ajuda moradores e síndicos a não perderem tempo e a organizarem evidências.

  1. Registre o que mudou
    Faça fotos e vídeos com datas, inclusive de áreas externas, muros, taludes, marquises e garagens. Se for condomínio, registre em ata e comunique aos moradores.
  2. Evite intervenções improvisadas
    Obras rápidas para “tapar” trinca, drenar com furos sem projeto ou aumentar peso em muros e aterros podem agravar o risco.
  3. Chame profissional habilitado e exija documento técnico
    A orientação do perito é procurar engenheiro com atribuição para avaliar estrutura, fundação e drenagem. O resultado deve virar relatório técnico, com responsabilidade formal e recomendações.
  4. Em situações de risco, acione a Defesa Civil
    Em Belo Horizonte, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199. Se houver perigo imediato, o Corpo de Bombeiros atende pelo 193.

O perito afirma que parte dos conflitos pós-chuva vira disputa porque o imóvel não passou por checagens básicas antes da compra ou porque a manutenção ficou para depois.

“Se vai comprar casa ou apartamento, a orientação é fazer vistoria cautelar com especialista. A pessoa paga por uma avaliação e recebe um documento assinado dizendo o que está estável e o que precisa de correção. O problema é que muita gente compra sem isso e só corre atrás quando o dano aparece. Aí o custo aumenta e o caminho jurídico fica mais difícil”, diz.

Em condomínios, ele ressalta a importância de manter rotinas formais de manutenção e documentos de segurança atualizados, incluindo os ligados à prevenção e combate a incêndio, além de relatórios técnicos quando aplicáveis.

Mesmo com parte de março ainda dentro da estação chuvosa, o acúmulo de água no solo e a repetição de pancadas elevam o risco de escorregamentos, queda de muros e agravamento de patologias já existentes. Em Belo Horizonte e na Zona da Mata, as ocorrências recentes reforçaram a necessidade de respostas mais rápidas e orientadas por avaliação técnica, para que o morador entenda o que observar e qual é o próximo passo.

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