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Especialistas alertam contra golpes com cartão de crédito

A praticidade de comprar com cartão de crédito é cada vez mais reconhecida pelos brasileiros. O número de transações realizadas em setembro chegou a 580 milhões, 17% a mais que no mesmo período de 2009, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Os consumidores, no entanto, devem manter o alerta para evitar problemas na hora da compra. Embora bancos e empresas de cartão garantam que a segurança deu um salto nos últimos anos – com a implantação dos chips e exigência de senha, por exemplo –, a clonagem de cartões, roubo de senhas e cobranças indevidas ainda atormentam usuários.

Para a coordenadora institucional da Proteste Associação de Consumidores, Maria Inês Dolci, por mais que bancos e operadoras estejam usando a tecnologia para aumentar a segurança das transações com cartão, não se pode esquecer que o setor ainda é o segundo no ranking de reclamações na área financeira. O consumidor não deve relaxar e precisa fazer sua parte para não ser lesado ao usá-lo. Segundo Maria Inês, não é fácil perceber, na hora da compra, se o sistema é realmente seguro de uma ponta à outra da transação (que envolve desde a operadora ao estabelecimento que realizou a venda, e o banco, que vai fazer a cobrança). “As clonagens, por exemplo, ainda representam uma ameaça e são realizadas de diferentes formas, muitas vezes sem que o usuário tenha feito nada para ‘colaborar’ com o ladrão”, diz.

A Proteste recomenda aos usuários dar preferência a lojas que costumam frequentar, ou tentar obter informações sobre estabelecimentos novos no mercado. “Se não podemos saber se o sistema está realmente seguro, é preciso, pelo menos, procurar locais que passem essa impressão”, disse Maria Inês. A coordenadora do Proteste acredita que haja uma tendência das empresas em tentar passar essa confiança ao consumidor, e, por isso, deve aumentar o número de certificações de segurança para transações eletrônicas nos próximos meses.

Padrão de segurança
 

 
A expectativa entre entidades de defesa do consumidor é de maior adesão de varejistas brasileiros ao padrão de segurança criado pelo PCI Security Council – conselho fundado pelas maiores bandeiras internacionais de cartões, como Visa e Mastercard – para aumentar a segurança das transações eletrônicas e proteger os dados dos usuários. A primeira grande rede varejista do país a conseguir a certificação PCI Security Council foi a Casas Bahia, que teve o processo concluído neste mês. De acordo com a assessoria de imprensa do grupo, o fato de os compradores poderem confiar mais no processo de transações com o cartão de crédito dentro das lojas gera grande expectativa de melhoria nos negócios.

Para William Alevate, executivo de negócios da Módulo, empresa de consultoria que é uma das responsáveis pelas auditorias do PCI no Brasil, as empresas vão procurar se adaptar às regras do PCI e cumprir os 12 itens de segurança que são exigidos para a certificação. “Esse documento indica que o estabelecimento seguiu todos os padrões de segurança existentes até o momento. Não quer dizer que seja 100% seguro, claro. Mas, se as duas partes tomarem os devidos cuidados, as chances de haver fraudes eletrônicas se aproximam de zero”, afirmou.

Enquanto empresas tentam obter certificação de segurança, o servidor público Marcelo José de Souza dá preferência a estabelecimentos que sejam reconhecidamente mais seguros e tenta ficar atento a possíveis falhas do sistema. Cauteloso, ele sempre acompanha os detalhes de suas transações financeiras, o que permitiu que ele descobrisse rapidamente que foi vítima de uma fraude. “Não sei como roubaram minha senha, mas sou cadastrado em um programa do banco que envia mensagens para meu celular toda vez que são feitas compras com meu cartão. Percebi compras de R$ 35 e R$ 50 que não eram minhas quase que instantaneamente”, conta.

O estudante Davi Pinheiro de Oliveira, por sua vez, teve a senha roubada enquanto fazia intercâmbio na África do Sul, no final do ano passado. Os fraudadores fizeram compras no valor de R$ 2 mil, mas Davi conseguiu resolver o problema com o banco. Ele conta que a experiência o fez ficar mais atento. “Não converso com ninguém desconhecido no banco e tomo cuidado para que ninguém, mesmo em bares e restaurantes, me veja digitando a senha do cartão.”

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