A mobilização das forças de segurança pública tomou conta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (24) e ampliou a sensação de esgotamento dos serviços essenciais no estado. A audiência pública, marcada para debater as perdas inflacionárias acumuladas pela categoria, transformou-se em um ato de pressão e indignação contra o governo Mateus Simões (PSD), que novamente evitou o enfrentamento direto com os servidores.
Os sindicatos apresentaram cálculos que apontam 52,33% de defasagem salarial entre 2015 e 2025. Além disso, expuseram como a corrosão do poder de compra afeta policiais penais, policiais civis, militares, bombeiros, agentes socioeducativos e pensionistas. A categoria recebeu apoio dos deputados Sargento Rodrigues (PL) e Cristiano Caporezzo (PL), autores do requerimento da audiência, e pediu uma recomposição imediata.
Governo se ausenta e revolta cresce no plenário
Logo no início, o clima no auditório ficou tenso, porque o governo não enviou o governador Mateus Simões(PSD) nem a secretária de Planejamento, Sílvia Listgarten. A ausência provocou vaias e críticas duras dos servidores, que afirmaram sentir-se ignorados. Enquanto isso, parlamentares classificaram a atitude do Executivo como “desrespeitosa” e “intencionalmente evasiva”.
Sargento Rodrigues(PL) reforçou que o governo descumpre a legislação ao não divulgar, em janeiro, o índice de revisão anual das remunerações. Assim, segundo o deputado, a omissão impede qualquer diálogo sério sobre recomposição.
“O governo conhece a lei, mas prefere ignorá-la. Hoje, a categoria exige respeito e transparência”, afirmou.
Cristiano Caporezzo(PL) acrescentou que, enquanto o custo de vida aumenta, o salário dos profissionais permanece congelado. Além disso, ele afirmou que muitos servidores já se endividam para cobrir despesas básicas.
Pressão unificada e ambiente político crítico
A audiência acontece em um momento de desgaste acelerado para o governo Simões. A saúde estadual continua em greve pela Fhemig, a educação mantém paralisações em várias regiões, e agora a segurança pública eleva o tom. Dessa forma, Minas enfrenta a combinação mais explosiva dos últimos anos, porque três pilares essenciais do serviço público pressionam simultaneamente por valorização.
Representantes da segurança afirmaram que a categoria não descarta intensificar mobilizações se o governo permanecer inerte. Além disso, alguns líderes alertaram que “o estado caminha para um caos institucional”, caso o Executivo não apresente respostas imediatas.
Resultado da audiência: categoria aumenta pressão e deputados anunciam medidas
Ao término da reunião, os parlamentares aprovaram três encaminhamentos para aumentar a pressão sobre o governo:
1. Exigir que o governo apresente, em até 10 dias, o índice oficial de recomposição inflacionária referente a 2022–2025.
Os deputados vão enviar o pedido com caráter de urgência.
2. Criar um grupo de trabalho permanente para mediar, semanalmente, as negociações entre governo e entidades de segurança.
Assim, a ALMG pretende evitar novas tentativas de protelação.
3. Produzir um relatório técnico consolidado sobre a defasagem salarial acumulada, que acompanhará um novo requerimento formal de reajuste.
Esse documento deve embasar possíveis ações judiciais caso o governo mantenha a postura atual.
Apesar dos encaminhamentos, a audiência terminou sem qualquer compromisso do Executivo. Portanto, o impasse continua.
Governo fala em limites fiscais, mas entidades contestam
Mesmo ausente, o governo enviou uma nota técnica afirmando que o Regime de Recuperação Fiscal limita reajustes. Contudo, os sindicatos contestaram os argumentos, porque a receita estadual cresce acima da inflação. Assim, segundo eles, falta prioridade política, não recursos.
Conclusão: tensão aumenta e greve unificada entra no horizonte
A audiência pública deixou claro que o governo enfrenta um cenário de desgaste profundo. Enquanto profissionais da saúde e da educação seguem mobilizados, a segurança pública ingressa na disputa e fortalece o clima de instabilidade. Além disso, a ausência do governador e da secretária de Planejamento foi interpretada como um sinal de que o Executivo não pretende negociar no curto prazo.
Agora, sindicatos falam abertamente em unir as três categorias em manifestações conjuntas. Caso isso ocorra, Minas poderá enfrentar uma das maiores paralisações dos últimos anos — resultado direto de um governo que, até aqui, não apresentou respostas concretas

