O 28 de junho é lembrado em todo planeta como o Dia do Orgulho LGBT. A data relembra a invasão de policiais ao bar gay de Stonewall Inn, em Nova Iorque, evento que completa 50 anos em 2019 e que desencadeou uma forte reação da comunidade homossexual naquela época. Acontecimentos que foram marcados em Itabira com um ato do Coletivo Ativista LGBT na praça Acrísio Alvarenga, no Centro da cidade.
Cercado por poucas pessoas, o líder LGBT Gercimar Almeida pediu respeito. Com um microfone e uma caixa de som, fez discurso de afirmação e lembrou a criminalização da homofobia recentemente aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A discriminação a homossexuais é agora tipificada como racismo e pode resultar em até 3 anos de prisão, sem fiança.
Tida como uma cidade “conservadora” e “tradicional”, em Itabira ainda paira um preconceito muito forte, segundo palavras de Gercimar. O ativista cita que as piadinhas e adjetivos como “viadinho” e “bichinha” mascaram uma aparente aceitação. Para ele, somente com execução de políticas públicas de conscientização o cenário poderá ser alterado.
“A gente quer políticas públicas para conscientizar a população de que a comunidade LGBT existe e exige respeito. Eu não quero voltar para 50 anos atrás. Eu quero seguir. Precisa que a população seja educada, os próprios governos não sabem lidar com a população LGBT. Um médico não sabe se diz ‘o’ trans ou ‘a’ trans. O que a gente quer é que seja feito um trabalho grande na cidade para termos avanços”, comentou o ativista.
Gercimar lamentou, por exemplo, que há anos não consegue realizar uma Parada do Orgulho LGBT em Itabira. As três primeiras tiveram cerca de 2 mil pessoas, em média, com presença de artistas de outras cidades e representantes governamentais da área de Direitos Humanos.
Violência
No início deste ano, um relatório publicado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) apontou que 420 integrantes da população homoafetiva e transexual morreram em 2018 no Brasil em virtude de discriminação. O mesmo documento também mostra que, desde 2001, houve aumento significativo no número de mortes de LGBTs causadas por puro preconceito. Naquele ano, foram registrados 130 óbitos. Em 2008, foram 187. Já em 2017, foi atingido o número recorde de 445 mortes.
“Quantos LGBTs precisaram morrer para a gente estar aqui hoje, pedindo basta? Nós somos pessoas. Independente de quem a gente ama, nós somos seres humanos. Por isso que a gente está aqui na praça cobrando políticas públicas para o LGBT de Itabira”, pediu Gercimar Almeida.

