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Estudantes da UNA realizam protestos em frente ao prédio da faculdade

UNA

Estudantes fecharam a rua São José, no Centro. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Na noite desta segunda-feira (7), diversos estudantes do Centro Universitário Una (UNA), em Itabira, realizaram fortes protestos em frente ao prédio da faculdade, localizado na rua São José, centro da cidade. A manifestação ocorreu, simultaneamente, em outras sedes da instituição de ensino espalhadas pelo estado, como Belo Horizonte e Conselheiro Lafaiete.

Manifestação se concentrou, inicialmente, próximo à portaria da faculdade. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Entre as reivindicações do grupo, composto por alunos de diferentes cursos, estão o fim do ensino híbrido, a contratação de novos professores, realização de promessas não cumpridas e o não aumento das mensalidades (houve, recentemente, um aumento em cerca de 11%). Durante mais de duas horas, eles se utilizaram de apitos, cantos, buzinas e outros artifícios para realizarem o protesto.

Estima-se que tenham participado do ato, iniciado às 19h, entre 150 e 200 pessoas. Em nenhum momento representantes da UNA saíram do prédio. No entanto, por volta das 19h40, eles toparam conversar, dentro da faculdade, com cerca de cinco lideranças dos cursos de Veterinária, Direito, Agronomia e Fisioterapia.

Cerca de uma hora depois, a Polícia Militar chegou ao local para impor algumas condições aos manifestantes, que seguiam do lado de fora. Os militares deram sinal verde ao protesto, mas disseram que a circulação de veículos pela região não deveria ser impedida. Além disso, ainda pediram que o som não fosse muito alto. Nenhum funcionário da Transita foi visto na rua São José.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Diversas queixas

Estudante do 9º período de Medicina Veterinária, Vinicius Augusto listou inúmeras reclamações recorrentes entre seus colegas de curso. Ele contesta, por exemplo, a falta de aulas presenciais, ao contrário de graduandos do 1º, 2º e 3º período e de outras cidades.

“O que nos trouxe hoje pra frente da faculdade é tentar argumentar nossos direitos a respeito do aumento da mensalidade que tivemos agora nesse semestre, aulas on-line que estamos tendo. Nós, do 9º período, deveríamos estar tendo aulas de clínicas, cirurgias. Mas estamos assistindo aulas on-line, que estão acontecendo em Pouso Alegre (sul de Minas), e a gente vendo à distância, enquanto o pessoal de lá tem as práticas. Também reivindicamos estrutura, pois eles têm quase 600 alunos matriculados na Veterinária, sem ao menos ter uma Fazenda Escola, uma clínica. Todas essas coisas que a gente tenta lutar pelo nosso direito e não consegue.”

Segundo Vinicius, nesta segunda-feira a universidade iniciou um ensino híbrido, com 60% das aulas sendo em modo presencial e 40% de forma on-line. Porém, das duas matérias presenciais, uma delas não possui professor, o que força os estudantes a serem educados remotamente por docentes de outras unidades, como a de Pouso Alegre, sul de Minas. No domingo (6), foi aberto um edital para contratação de novos professores, o que, segundo ele, só ocorreu pela pressão dos alunos.

“É até inacreditável (a falta de professores), meio sem sentido falar isso. Não tem como a gente tentar entender o que é uma aula sem professor. É simplesmente me dar uma matéria para estudar em casa. Tem curso que a gente consegue levar, mas Fisioterapia, Biomedicina, Farmácia, Veterinária não tem jeito, é mão na massa”, diz o estudante.

Vinicius Augusto é um dos líderes do movimento. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Hoje no 9º período, Vinícius afirma que as queixas se estendem desde o segundo período de curso. Mas nada mudou.

“Eles têm uma resposta pronta, que toda vez eles dependem de um conselho maior. Mas eu converso com eles diretamente desde o segundo período, e até hoje não vi mudança alguma. Não culpo professor, coordenador, é parte do grupo superior de uma instituição que é muito grande no Brasil inteiro e faz muito marketing para pouco desenvolvimento.”

“Eu vou formar sem professor? Vou me formar sem ver uma vaca? Correr por fora, eu corro, e o restante que não pode?”

Promessa não cumprida

Estudante do mesmo curso e período, Ludmilla Guerra ressalta que a UNA não tem cumprido seu propósito inicial ao chegar em Itabira.

“Estamos no último período de Medicina Veterinária, a gente vem reivindicando, desde o primeiro período, construção de Escola Modelo numa área rural, abertura da clínica… A UNA chegou aqui com a proposta de empreendedorismo, mas não dá subsídios nem infraestrutura para que possamos desenvolver esse mercado na cidade“, contesta.

À DeFato Online, a discente ainda cita um aumento da mensalidade promovido pelo centro universitário e a falta de contato com atividades rotineiras da área, como cirurgias em animais.

“Como pode terminar um curso de Medicina Veterinária, onde nós tivemos 11% de aumento, tendo aula teórica de cirurgia. Você já ouviu falar em cirurgia online? Aulas práticas, nós não temos professores. Então vem aquela coisa, enganando, como se a gente fosse palhaço”, acrescenta Ludmilla.

“Além de você pagar um absurdo na faculdade, tem que pagar cursos para fazer lá fora pra estar de acordo com o que é ser um médico veterinário.”

A estudante de Medicina Veterinária, Ludmilla Guerra. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Direito

Estudantes de Direito, Brenda Marques e Laysa Gabriela também demonstraram com a manutenção do ensino híbrido. Elas afirmam sequer terem sido comunicadas pela UNA da decisão ao efetuarem a rematrícula.

“O que foi pior pra gente foi a falta de consideração da UNA com os alunos, porque eles não avisaram que seria ensino híbrido quando fomos efetuar a rematrícula. Isso foi uma falta de vergonha com a gente, porque já estamos aqui há mais de seis meses, podiam ter avisado antes. E tá sempre pregando que ia ser 100% presencial, mas não tá sendo!”

Brenda ressalta que o ensino híbrido é repudiado, inclusive, pela OAB, o maior órgão jurídico do país. “Não existe ensino híbrido para nós. A OAB repudia ensino híbrido para o Direito. Nossa maior revolta é eles não nos avisarem, em momento algum falaram com a gente que seria ensino híbrido enquanto fazíamos a matrícula.”

Já Laysa critica o argumento utilizado pela instituição de ensino para manter as aulas on-line: a pandemia. Segundo ela, se até as crianças já voltaram ao formato presencial, não há porquê seus colegas seguirem no ensino remoto.

“E eles ainda estão usando a cláusula do Covid, isso não é mais desculpa pra nós. Porque até os alunos pequenos, crianças, que são muito mais vulneráveis que a gente, estão tendo aulas presenciais. Porque a UNA está fazendo essa pouca vergonha com a gente? Covid não é mais desculpa para nós!”, esbraveja.

Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

Sem respostas

Um dos participantes da reunião entre representantes estudantis e da faculdade, Vinicius Augusto deixou o encontro antes do fim, tamanha a revolta. Ele diz ter ouvido, do coordenador geral da unidade itabirana, que a UNA não possui capacidade para lidar com todos os seus alunos matriculados.

“Sem resposta positiva. Segue com as mesmas pendências, falta de professor, a Fazenda Escola, que segundo eles estava com contrato assinado, já iniciando reforma, segue sem nem sequer ter tido uma visita técnica para assinar contrato. Foi dito pelo coordenador geral da unidade de Itabira (identificado como Gustavo): ‘A gente não tem capacidade para suportar todos os alunos matriculados na unidade’”.

Reunião foi realizada internamente. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

O que diz a faculdade

Procurada pela reportagem, a UNA enviou uma nota sobre as manifestações nesta quarta-feira (9). No comunicado, a faculdade classifica seu modelo acadêmico, composto por aulas presenciais e on-line, como “inovador” e se diz aberta ao diálogo com os estudantes da instituição. Leia, abaixo, o comunicado na íntegra.

“Em atenção ao questionamento do Portal De Fato Online, a Una Itabira informa que as aulas retornaram de maneira presencial nesta segunda-feira, 7 de março, respeitando todas as diretrizes do Ministério da Educação.  

Ressaltamos ainda que o modelo acadêmico estabelecido pela instituição é inovador e incentiva o estudante a desenvolver competências que os preparam para os desafios reais da carreira. Para tanto, foi construído de forma que alterna a composição com aulas, atividades de extensão presenciais e on-line, entre outros, permitindo o aperfeiçoamento e desenvolvimento de habilidades e competências que serão chaves para a sua formação.

Por fim, a instituição reafirma seu comprometimento com a qualidade acadêmica, uma marca da Una Itabira e reforça o canal aberto ao diálogo com seus alunos e alunas para apoiar e sanar quaisquer dúvidas acadêmicas, docentes e administrativas.”

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