Ex-prefeito de Conceição do Mato Dentro (2001/2005 e 2005/2006), ex-deputado federal, ex-candidato a governador de Minas, José Fernando Aparecido Oliveira, 41 anos, foi o entrevistado principal da última edição do jornal DeFato, que circula em Conceição do Mato Dentro e região. Ele nasceu no Rio de Janeiro, mas tem as raízes fincadas no interior de Minas Gerais. Foi em Minas que coordenou o Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, de quem já foi grande apoiador, e recentemente migrou-se para o PMDB, sua “casa de origem”, partido que o pai ajudou a fundar. Zé Fernando fala sobre mineração, política, turismo, sustentabilidade e outros assuntos.
Como avalia a atual situação política e econômica de Conceição do Mato Dentro?
Vejo como uma situação privilegiada, levando-se em conta os demais municípios de Minas Gerais e do Brasil, dentro do cenário econômico. Conceição tem vivido um ciclo de crescimento e de prosperidade em função da atividade
mineradora.
mineradora.
Que diferenças podem ser destacadas da época em que foi prefeito para os dias de hoje?
Há uma grande diferença. Naquela época não havia nem asfalto para Conceição do Mato Dentro. Não existia um terminal rodoviário, as pessoas eram praticamente jogadas em frente ao Éden Clube. Havia um patrimônio histórico degradado e vários outros problemas. Hoje é uma nova realidade, mas com o crescimento e o desenvolvimento, vieram também vários outros problemas: nas áreas de habitação, do uso e ocupação do solo, e, sobretudo, na área de segurança pública. Precisamos ter uma atenção muito especial com relação à segurança. No nosso período, investimos muito no turismo como uma atividade de desenvolvimento econômico. E vejo que é absolutamente possível fazermos uma integração entre o turismo, outras atividades econômicas e a mineração.
Quando foi candidato a governador, o senhor focou muito a questão da mineração e criticou a forma como os recursos são extraídos de Minas. Qual seu posicionamento em relação à mineração atualmente? Tem sido equilibrada?
Acredito que é possível fazer mineração protegendo o meio ambiente, agregando valor, desenvolvendo o setor empresarial e a geração de emprego e renda para a população. Claro que a mineração é uma atividade que gera um passivo, sobretudo ambiental, e que precisa ser recuperado. Precisamos ter a consciência de que minério só dá uma safra. Por isso temos que trabalhar com a visão de médio e longo prazo, e não apenas pensar no boom. Mineração não é eterna. Ela tem um ciclo. Precisamos aproveitar esse ciclo, respeitando o meio ambiente, gerando emprego e renda, mas incentivando outras atividades produtivas e
econômicas.
econômicas.
Com está a relação do senhor com a cidade? Tem visitado com frequência?
Neste momento eu voltei a estudar. Faço um curso de pós-graduação em Direito Ambiental e Direito da Mineração. Acabei também de escrever um livro sobre a história da mineração em Minas e no Brasil – ainda estamos vendo o título, discutindo as questões com o editor. É um tema que me atrai muito, principalmente por causa da realidade que Conceição passou a viver. Conceição pra mim é um ato de amor, portanto eu quero estar cada vez mais capacitado para poder entender, não só a parte de legislação, mas também a prática.
Quais os planos para o futuro?
O futuro a Deus pertence. Se tiver no nosso destino novamente voltar a dar nossa contribuição a Conceição, eu sempre vou estar dando essa contribuição, independentemente de onde eu esteja. Agora mesmo nós conseguimos um recurso de R$ 100 mil para o município; estamos sempre correndo atrás. Conceição precisa de algumas obras estruturantes, como o anel rodoviário, um hospital público realmente para o município, o aterro sanitário. Temos de resgatar também o turismo como uma fonte de desenvolvimento econômico e social verdadeira. Fizemos isso no nosso mandato e precisamos resgatar. Precisamos investir mais em esporte e lazer, transformar o campo do Matozinhos em um verdadeiro estádio de futebol, voltar os projetos das escolinhas de esportes da prefeitura da época em que fui prefeito. Acho que é possível fazer uma mineração sustentável. E por isso que sempre lutei, como deputado federal, como candidato a governador de Minas, para que a mineração seja uma atividade sustentável, geradora de emprego e renda para a população. É um jogo em que todo mundo pode ganhar, desde que feito com responsabilidade, compromisso social e ambiental.

