Vanuza Souza, ex-militante do MST, fez, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, na terça-feira (8), duras denúncias contra o grupo e o Partido dos Trabalhadores (PT). Vanuza participou do Acampamento São João, no sul da Bahia.
Segundo a ex-militante, ela e seus filhos foram agredidos pelo movimento, inclusive uma menina de quatro anos, que hoje enfrenta graves problemas psicológicos. “Quero que a direção do MST chegue aqui e diga que sou fake news, ou que não existo. Esse movimento age criminosamente quando alguém diz não para ele”, declarou.
Vanuza questionou o status de “movimento social” do ajuntamento de esquerda. Conforme a ex-militante, o MST chantageia seus membros, isso porque ou se vota no PT ou se perde a terra. Dessa forma, ela tampouco poderia ser bolsonarista, como foi acusada nas redes sociais.
Durante o depoimento, Vanuza cobrou o deputado Valmir Assunção (PT-BA), ligado ao MST: “Teve o meu voto desde o primeiro mandato, e você nunca me representou”.
Em confronto com integrantes da CPI, Vanuza ainda disse: “Olhei a cara de vocês e vi a cara de demagogia dos representantes do meu país”.
Não é a primeira vez que o MST recebe denúncias de ex-militantes. O teólogo Pedro Poncio, 30 anos, lembra da infância difícil que teve em Campo Grande (MS), que levou seu pai a depositar esperanças no MST, que lhes prometeu uma vida melhor. A realidade mostrou ser diferente.
Nos seis anos que militou no movimento, Poncio e seus dois irmão mais velhos passaram por um experiência sombria que hoje os torna capazes de criticar o grupo. “Nas escolas dos ‘sem terrinha’ éramos obrigados a cultuar Paulo Freire e Che Guevara”.
Morando hoje em Anápolis (GO), Poncio afirma que o MST promove uma lavagem cerebral nas pessoas e que quando conseguiu sair do grupo, foi que “conheceu o mundo de verdade”.

