Site icon DeFato Online

Exportações brasileiras para a Argentina caem em meio à divergente relação entre os países

As principais economias do Mercosul, Brasil e Argentina, estão reunidas na 65ª Cúpula do bloco, que ocorre entre os dias 5 e 6 de dezembro, em Montevidéu, no Uruguai. O encontro acontece em meio a um cenário de queda expressiva no comércio bilateral, conforme apontam dados recentes divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Entre janeiro e outubro deste ano, as exportações brasileiras para a Argentina registraram uma queda de 24,8% em relação ao mesmo período de 2023, enquanto as importações de produtos argentinos pelo Brasil cresceram 9,7%. Apesar de o saldo da balança comercial brasileira permanecer positivo, o superávit caiu de US$ 4,75 bilhões no ano passado para apenas US$ 69 milhões no mesmo período deste ano.

A secretária para a América Latina e Caribe do Itamaraty, embaixadora Gisela Padovan, associou a retração comercial a mudanças econômicas promovidas pelo presidente argentino, Javier Milei.

“De uma hora para outra, você tem uma queda deste tamanho. O que mudou este ano? Entrou um novo governo que promoveu um ajuste bastante forte, e isso tem implicações infelizmente negativas para nós”, afirmou Padovan.

No ano passado, o Brasil registrou um superávit de cerca de US$ 6 bilhões com os países do Mercosul. Em 2023, o resultado foi mais equilibrado, com a queda concentrada no comércio com a Argentina, que acumulou perdas de US$ 10,8 bilhões.

Relações tensas no Mercosul

Embora não tenham sido identificadas novas barreiras comerciais entre Brasil e Argentina, especialistas destacam que a relação entre os dois países está longe de ser favorável. A falta de diálogo e dificuldades na cooperação bilateral complicam a resolução de problemas e a busca por soluções para fortalecer o comércio.

Desde sua posse, Javier Milei tem criticado o Mercosul, chegando a ameaçar a saída da Argentina do bloco. Apesar disso, o presidente demonstrou interesse no possível acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Fontes ligadas à cúpula informaram à Reuters que os quatro países fundadores do bloco – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – concordam com os atuais termos do acordo e esperam sua aprovação em breve.

A 65ª Cúpula do Mercosul representa não apenas um espaço para discutir o futuro econômico da região, mas também uma oportunidade para redefinir as relações comerciais entre seus membros.

*Com informações da CNN Brasil.

Exit mobile version