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#ExposedItabira: itabiranas usam rede social para denunciar crimes sexuais sofridos na cidade

Itabiranas que foram vítimas de crimes sexuais estão usando o Twitter para publicar diversos relatos sobre situações ocorridas na cidade. A hashtag #ExposedItabira começou a ganhar força na rede social no último fim de semana e continua com intensa movimentação nesta segunda-feira (1/06). Internautas estão compartilhando suas experiências e incentivando outras a também denunciarem os abusos, repetindo no município um fenômono que se espalha por várias partes do Brasil desde o mês passado. 

As vítimas usaram o termo “Exposed” – que pode ser entendido como o ato de expor uma denúncia contra alguém na internet – para identificar as publicações. Dentre as situações descritas pelos usuários do Twitter estão assédios sexuais, estupros, relacionamentos abusivos e ameaças.

Em postagem sobre um crime sofrido, seguido dos prints com o relato detalhado, uma das vítimas lamentou. “Um dos piores dias da minha vida, o qual eu gostaria muito de esquecer, pois não aguento mais isso martelando na minha cabeça. Malditas pessoas que se acham no direito de violar nossa intimidade”.

Outra mulher que decidiu expor um episódio de assédio sexual dentro da própria família destacou o medo por contar ocorrido. “Tô literalmente tremendo de medo de postar isso, eu não sei da onde tirei coragem, tenho prints caso não acreditem”.

Além dos relatos, mensagens de apoio às pessoas que decidiram se abrir quanto aos fatos ocorridos também foram publicadas na rede. “Lendo esses exposeds a minha vontade é dar um abraço em cada uma, vocês são fortes DEMAIS, e não estão sozinhas. A culpa NUNCA vai ser da vítima”, diz uma das publicações.

Crimes Sexuais em Itabira

Pilhas de processos referentes a violência doméstica e estupro em Itabira

O Promotor de Justiça Bruno Müller, responsável pelas denúncias de crimes de gênero e sexuais em Itabira, comentou sobre o atual cenário de violência sexual na cidade, além dos relatos publicados com a hashtag #ExposedItabira. “O número de estupros e crimes de gênero em Itabira são astronômicos. Em 10 anos de profissão nunca vi algo desse tipo”, diz, assustado. 

Segundo Bruno, as investigações desse tipo de crime são extremamente delicadas especialmente porque envolve o medo das vítimas, que acabam não relatando o crime por retaliação da própria sociedade.

“É importante que a vítima saiba que ela não é responsável pela consumação daquele crime. A sociedade aponta a motivação desses ocorridos para a própria pessoa que sofreu aquele ataque. Quando o único responsável e culpabilizado deve ser o autor, o criminoso que executou o crime sexual”, ressalta o promotor.

Bruno lembra ainda que a melhor saída diante de um crime sexual é a denúncia formal, para que a polícia e, posteriormente, a Justiça possam agir: “Muitas pessoas sentem constrangimento em denunciar e acabam optando por não falar sobre o crime, mas é extremamente importante que haja o encorajamento para que a vítima saia da posição de objetificação e contribua para a paralisação dos ataques sexuais, que muitas vezes acontecem de forma sequencial”.

Denúncia

Ainda de acordo com o Promotor Bruno Müller, pessoas que passaram por qualquer um dos crimes citados pelas itabiranas que recorreram ao Twitter podem denunciar, independentemente do tempo que foi ocorrido. “A vítima pode relatar o crime mesmo que ele tenha sido consumado anos atrás. É claro que será uma investigação mais dificultosa, uma vez que nesses casos qualquer detalhe conta muito, como o dia exato e o horário em que ocorreu”, cita o promotor.

Também procurado por DeFato Online para comentar a proliferação de denúncias nas redes sociais, o delegado regional da Polícia Civil, Helton Cota, seguiu a linha do promotor e ressaltou a importância da formalização das denúncias para que a polícia consiga atuar nesses casos.

“O que a gente orienta é que as vítimas, tão logo que sejam vítimas ou tomem conhecimento de algum crime sexual, procure os órgãos ou os policiais para denunciar, seja Polícia Militar ou Civil. A partir dessa denúncia, nós vamos instaurar uma investigação”, disse o delegado.

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