O goleiro Fábio escreveu hoje o seu nome de forma definitiva na história do futebol. Ao entrar em campo defendendo as cores do Fluminense na vitória por 2 a 1 contra o Fortaleza, o goleiro alcançou a marca de 1390 partidas em sua carreira profissional, igualando o recorde mundial do inglês Peter Shilton. Ídolo do Cruzeiro e do Fluminense, Fábio se notabiliza por sua qualidade técnica e se diferencia por sua longevidade: 44 anos de idade, 30 deles dedicados ao futebol profissional.
Na partida de hoje — e ao longo da temporada de 2025 — Fábio realizou defesas que garantiram o resultado positivo para o Fluminense. A equipe do treinador Renato Gaúcho subiu tem agora 27 pontos no Campeonato Brasileiro e ocupa a 8ª colocação. Contudo, o tricolor está vivo em outras duas competições. Na próxima terça-feira (19), receberá os colombianos do América de Cali, no Maracanã, pelas oitavas-de-final da Copa Sul-Americana. Já na Copa do Brasil, enfrentará o Bahia na fase de quartas-de-final
Ao alcançar a marca dos 1390 jogos na carreira, Fábio se iguala, portanto, ao inglês Peter Shilton. Os outros três atletas com mais partidas na história do esporte são Cristiano Ronaldo (1283), Rogério Ceni (1265) e Frantisek Planicka (1187). Em uma lista dominada por goleiros, o histórico atacante português Cristiano Ronaldo é uma exceção.
Trajetória de Fábio
Natural do município de Nobres-MT (a 142 km de distância da capital Cuiabá), Fábio iniciou a sua trajetória no clube paranaense União Bandeirante, em 1997. Pela equipe, ele disputou as primeiras 30 partidas de sua carreira. No ano seguinte, fez parte da equipe do Athletico Paranaense que conquistou o título estadual. Em 1999 teve a primeira passagem pelo Cruzeiro — clube com o qual criaria uma relação de amor e fidelidade. Contudo, sem entrar em campo, entre 1999 e 2000, mas fazendo parte do elenco campeão da Copa do Brasil de 2000.
Uma nova etapa de sua trajetória se iniciou no ano 2000, porém, quando Fábio assumiu a meta do Vasco da Gama, substituindo o goleiro Helton — que construiria uma sólida carreira no Futebol Clube do Porto, de Portugal. Com a camisa cruzmaltina, Fábio conquistou a Copa Havelange e a Copa Mercosul em 2000. Permanecendo por cinco anos em São Januário, portanto, teve no Campeonato Carioca de 2003 a conquista final pelo alvinegro.
O seu desempenho na equipe carioca justificou sua primeira convocação para a Seleção Brasileira. Pela Amarelinha, Fábio fez parte do elenco na Copa das Confederações de 2003 e na Copa América de 2004, vencida pelo Brasil. Contudo, foram poucas as oportunidade que teve de vestir a camisa mais emblemática do futebol, voltando a ser convocado apenas em 2011, por Mano Menezes.
Cruzeiro, clube de sua consagração
Foi em 2005 que sua trajetória de vida se fundiu de forma profunda e definitiva com a história do Cruzeiro. Sob o comando do treinador Levir Culpi, o goleiro estreou com a camisa celeste. Foram treze anos de dedicação ao clube, pelo qual conquistou títulos de nível estadual e nacional, o primeiro deles foi o Campeonato Mineiro de 2006. Defendendo as cores do Cruzeiro, Fábio conquistou o Campeonato Brasileiro em 2013 e 2014 e a Copa do Brasil em 2017 e 2018. Foram oito conquistas estaduais. E uma grande frustração: a derrota na final da Copa Libertadores de 2009, diante do argentino Estudiantes, em 2009.
Contudo, o futuro reservaria a Fábio a “glória eterna” da principal conquista sul-americana. Em 2022, num momento em que o Cruzeiro enfrentava a pior crise de sua história, disputando a segunda divisão brasileira e passando por um processo de mudança institucional para tornar-se uma Sociedade Anônima do Futebol, Fábio decidiu deixar o clube pelo qual disputou 976 partidas. O seu destino seria novamente o Rio de Janeiro, mas dessa vez em Laranjeiras.
Campeão da América pelo tricolor de Laranjeiras
Pelo Fluminense, Fábio conquistou o Campeonato Carioca de 2022, contribuindo para o fim de uma seca de títulos do clube que perdurara desde 2012. Foi o início de uma trajetória vencedora, que teve na temporada seguinte o seu auge. Catorze anos após a derrota no Mineirão diante do Estudiantes de La Plata, Fábio levantaria finalmente o troféu mais cobiçado do América. Por coincidência, o adversário foi mais uma vez um tradicional clube argentino, o Boca Juniors. Porém, o resultado foi o melhor possível: o título e o recorde de atleta brasileiro com o maior número de partidas pela competição. Pelo tricolor carioca, Fábio também conquistou o Carioca de 2023 e a Recopa Sul-americana de 2024.
Títulos da carreira de Fábio
- Athletico Paranaense:
Campeonato Paranaense de 1998 - Vasco da Gama:
Copa Mercusol 2000;
Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) 2000;
Campeonato Carioca 2003 - Cruzeiro:
Campeonato Mineiro: 2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019;
Copa do Brasil: 2000, 2017 e 2018;
Campeonato Brasileiro: 2013 e 2014 - Fluminense:
Campeonato Carioca 2022 e 2023;
Recopa Sul-Americana 2024
Copa Libertadores da América 2023 - Seleção Brasileira:
Campeonato Sul-Americano sub-17 1997;
Copa do Mundo sub-17 1997;
Copa América 2004a

