Falta d’água em Itabira: Saae aponta erros da Vale, que rebate

Entrega insuficiente de água, mau funcionamento de posto e falhas de comunicação foram alguns dos pontos levantados

Falta d’água em Itabira: Saae aponta erros da Vale, que rebate
A ETA Gatos, em Itabira. Foto: Arquivo DeFato
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Na última segunda-feira (20), a diretora-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Karina Lobo, compareceu à Câmara Municipal de Itabira. A intenção foi prestar esclarecimentos sobre o problema de desabastecimento de água na cidade, um transtorno enfrentado pela população há muito tempo. Outros funcionários da autarquia também estiveram na Casa do Legislativo.

Durante quase 50 minutos, Karina apresentou quais fatores causam a situação, além de elencar as ações realizadas pela empresa na tentativa de contornar o problema. Para ela, são quatro os atores fundamentais neste contexto: a natureza, população, o próprio Saae e a Vale. Boa parte dos transtornos enfrentados por diversos bairros de Itabira nas últimas semanas, inclusive, passa pela atuação da mineradora, aponta o relatório apresentado pela autarquia.

água Itabira
Karina Lobo falou à Câmara Municipal na última segunda-feira. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

De acordo com Karina, a Vale não tem, por exemplo, conseguido entregar os 160 litros de água por segundo previstos em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Neste ano, a mineradora cumpriu tal meta apenas em março e abril. Em seu discurso para os vereadores na Câmara, Karina afirmou que a Vale está disponibilizando, em média, entre 70 e 80 litros atualmente. Os 160 litros por segundo são distribuídos no reservatório do Areão (20 L/s), Rio de Peixe (40 L/s) e o Anel Hidráulico (100 L/s).

Mas o “auge” dos transtornos entre as duas empresas ocorreu entre 8 e 17 de setembro. No dia 8, houve uma grande redução da vazão, como demonstra a imagem acima. Dois dias depois foi descoberto que uma das bombas do Posto 36, de responsabilidade da Vale, estava apresentando problemas, alega o Saae. Após algumas reuniões, ficou definido que a gigante mineradora supriria essa demanda disponibilizando dois caminhões pipa de 30 litros e três de 20 litros na Estação de Tratamento de Água (ETA) Gatos. Porém, no dia 11 de setembro apenas um caminhão foi entregue.

Outros seis foram disponibilizados posteriormente, mas, ainda assim, a quantidade de água oferecida era insuficiente, segundo Karina. A situação só passou a ser controlada entre 13 e 15 de setembro, quando o fluxo de caminhões aumentou.

Em 16 de setembro, no entanto, um novo ruído. A presidente do Saae afirma que, neste dia, o Rio de Peixe ficou parado por cinco horas. No dia seguinte, todos os reservatórios amanheceram completamente vazios. De acordo com Karina, apenas às 13h30 ela e demais colegas de trabalho foram comunicados que o Posto 36 havia parado de funcionar completamente, o que impediu uma ação rápida da empresa.

Quando questionada pela reportagem da DeFato Online sobre qual poderia ser o cenário mais crítico vivido por Itabira em relação ao tema, a líder do Saae voltou a citar o volume insuficiente entregue pela Vale hoje.

“Cenário mais crítico que esse eu não gostaria de vivenciar, porque a gente está operando no limite, no gargalo. Então eu prefiro nem vislumbrar um cenário mais complicado que esse. Vou afirmar para você: se a Vale entregar os 160 litros por segundo, nós administramos a distribuição na cidade”, disse na oportunidade.

O que diz a Vale

Em nota enviada ao Portal DeFato, a Vale afirmou que mantém o fornecimento de água para o Saae, que, segundo o mesmo comunicado, é o responsável pela distribuição aos bairros de Itabira. A empresa mineradora também reconheceu que houve, recentemente, uma paralisação em um dos poços que compõem o sistema de captação da água fornecida à autarquia. Leia, na íntegra, a nota enviada à DeFato.

A Vale esclarece que mantém o fornecimento de água para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itabira, órgão responsável pela distribuição entre os bairros no município, em atendimento ao Termo de Compromisso. Recentemente, foi necessária a paralisação, para manutenção pontual e monitoramento, de um dos poços que compõem o sistema de captação de água que é fornecida para a autarquia. Para manter o fornecimento durante esse período, a empresa disponibilizou caminhões-pipa. A Vale reafirma o seu compromisso com as comunidades de Itabira e das localidades onde mantém suas operações.

Também questionamos a Vale sobre o atual estágio do projeto de captação do Rio Tanque, mas não recebemos nenhuma resposta sobre isso.

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