Falta de chuva baixa nível de reservatórios e provoca falta de água em Itabira

A última ocorrência de chuva significativa no município foi registrada no dia 16 de maio, com um volume de 20mm

Falta de chuva baixa nível de reservatórios e provoca falta de água em Itabira
Leonardo Lopes pede economia de água em Itabira – Foto: Acom PMI

A situação do abastecimento de Itabira está cada dia mais complicada. Diante do período de estiagem entre os meses de junho a setembro, característico do inverno, todos os mananciais reduziram drasticamente a oferta de água. Consequentemente, os reservatórios de água do município estão praticamente pela metade. 

De acordo com o diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) é preciso fazer o uso consciente dos recursos hídricos e evitar o desperdício para que nos próximos meses não seja necessária um possível racionamento.

“A estiagem pede um olhar mais crítico e manobras são necessárias para tentar distribuir a água tratada de forma igualitárias em Itabira”, disse Leonardo Lopes

A principal Estação de Tratamento de Água (ETA), a Pureza, responsável por abastecer mais da metade da cidade, caiu de 180 litros por segundo (l/s) para 80 l/s. Já na ETA Gatos a queda foi de 90 l/s para 40 l/s.

Leonardo Lopes conta que o Saae iniciou, há cerca de 30 dias, uma manobra para reforçar o abastecimento de água. Geradores trabalham 24h por dia na ETA Gatos para aumentar em 40 l/s a produção de água tratada. Na ETA Pureza o trabalho de reforço terá início na próxima quinta-feira (5). A expectativa é que os geradores ampliem a capacidade de produção em 50 l/s.

A última ocorrência de chuva significativa no município foi registrada no dia 16 de maio, com um volume de 20mm. Depois disso, apenas uma pequena precipitação caiu na cidade nos dias 4 de junho e 22 de agosto. E as consequências disso tudo são sentidas nas casas, indústrias e comércio.

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“Estou sem água nenhuma em minha casa. Nada, nada. Desde domingo (1º) que não cai água aqui na minha casa. Não tenho água nem pra cozinhar, nem para um café hoje não tenho, nem mesmo para beber mais. Isso é impossível”, declarou Cleu Silva, moradora da rua Rio Grande do Norte, no bairro Novo Amazonas.

A situação se repete no bairro Campestre. Samuel Brito Ribeiro conta que há quatro meses enfrenta o problema da falta de água. Ele afirma que chegou a ligar para o Saae, mas não consegue que o abastecimento seja retornado.

“Pelo menos um dia na semana falta água. Desde segunda (2) a noite estou sem água. Hoje (4) não tinha água bem para escovar os dentes e tomar banho. Tive que ir na casa de um amigo para tomar banho antes de ir trabalhar. Além disso, esse mês minha conta de água chegou e o valor é superior a R$ 200. Todo ano é a mesma coisa. O município precisa de um plano de contingência”, destacou o itabirano que tentou registrar um boletim de ocorrência na polícia.

Investimentos

Além do período de estiagem, a falta de água é resultado também da ausência de investimentos ao longo dos últimos anos. O diretor-presidente do Saae lembra que o  prefeito Ronaldo Lage Magalhães (PTB) tem investido para reverter essa situação.

Com a ampliação da ETA Gatos, Itabira passará a contar com uma disponibilidade hídrica de 500 litros por segundo (l/s). Além disso, o município investe na construção do anel hidráulico que compreende a construção de seis quilômetros de rede, ao longo da Estrada 105, para interligar os sistemas Gatos, Pureza, Três Fontes, Areão e Rio de Peixe.

Ronaldo Magalhães sancionou em maio a lei nº 5.123, que autoriza o município a firmar parcerias público-privadas (PPP) para os empreendimentos relacionados ao abastecimento de água. A PPP da água, como é chamada, é apontada como solução para o problema da falta de água em Itabira pelo menos pelos próximos 30 anos.

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