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Fera do vôlei

Matéria publicada na edição 258 da Revista DeFato

Há pouco mais de um mês, a equipe de vôlei feminino do Sesi São Paulo, comandada pelo itabirano Talmo Curto de Oliveira, 44 anos, conquistava o bronze no Mundial de Clubes em Zurich, na Suíça. Mas há 22 anos, era Talmo e outros 11 colegas de equipe que estavam sob câmeras da imprensa mundial ao dividir o andar mais alto do pódio nas Olimpíadas de 1992, em Barcelona, na Espanha. Como atleta, ele atuava na posição de levantador. A equipe brasileira ficou conhecida na época como a “Geração de Ouro do Brasil”, da qual o itabirano fazia parte.

Talmo Oliveira começou sua carreira esportiva ainda na adolescência, nas aulas de Educação Física no Valeriodoce Esporte Clube (VEC), em Itabira. Desde então, passou por inúmeras modalidades e em várias ocasiões disputou os Jogos do Interior de Minas Gerais (Jimi). Com bom humor, se recorda da época: “Aproveitava para assistir aos treinos da equipe adulta aos sábados com o professor Mário Rosa. Um belo dia, ele me chamou para entrar em quadra e dar um saque por cima. Tremi todo, mas consegui”, conta.

Até fazer parte da Seleção Brasileira, o esportista treinou em vários times de cidades diversas, como Contagem (MG) e Barretos (SP), até que a sorte bateu a porta. Talmo entrou para o Pirelli, um dos maiores clubes do país, e com a oportunidade ganhou destaque. De lá foi para a Seleção Brasileira, em 1991, onde consagrou-se campeão um ano depois.

Palmeiras, Banespa, Telepar e Flamengo são apenas alguns clubes renomados pelos quais o atleta passou. Do alto de seu 1 metro e 94, o esportista coleciona inúmeros títulos, como técnico e jogador, nas principais competições do Brasil. Em sua carreira como jogador, o título de campeão nos Jogos Olímpicos de 1992 foi o mais marcante. Como técnico, destaca-se o vice-campeonato do Montes Claros pela Superliga 2009/2010, o campeonato Sul-Americano feminino pelo Sesi-SP no começo deste ano, e o terceiro lugar no Mundial de Clubes, em maio.

Futuro

Preocupado com o que classifica de “famosa e temível aposentadoria”, Talmo sempre se sentiu motivado em buscar conhecimento e especialização. Mesmo antes de encerrar a carreira como atleta, já estava certo de que estudaria Educação Física – pensando na nova fase de sua vida profissional. Em 2003, comemorou a formatura e desde então vem galgando degraus rumo à excelência como professor.

Antes de assumir o comando do Sesi/SP, o itabirano treinou a equipe masculina do Sada/Betim e o Montes Claros. Para ele, que já liderou times masculinos, a experiência com as mulheres se revela muito gratificante, “repleta de desafios com suas particularidades”.

Bases sólidas

Talmo é casado há 19 anos com Fabiana, com quem tem dois filhos: João Vítor e Júlia Maria. Concilia com tranquilidade a rotina de frequentes viagens com a vida pessoal. Essa tranquilidade, conforme explica, deve-se ao fato de fazer parte de uma família numerosa, bem estruturada e que sempre lhe proporcionou bases sólidas. ‘Pé-no-chão’, ressalta a educação recebida dos pais, Murilo Conceição de Oliveira e Normília Curto de Oliveira, fundamental à sua formação cidadã.

Atualmente, reside com a esposa e os filhos no interior de São Paulo, mas tem acompanhado o cenário esportivo itabirano. Sobre o Valério, Talmo observa os desafios do clube e acredita que a saída para a atual fase é única, investimento. “A situação do VEC hoje não é das melhores. Principalmente pela falta de credibilidade ao longo dos anos. Olhando de fora, penso que a solução é um investimento maciço na base, a começar pelo futebol e estendendo para outros esportes”, sugere.

Em relação à importância do esporte para a formação das crianças e jovens, o treinador afirma: “Tenho certeza de que é uma grande ferramenta na transformação social, se trabalhada com a educação e a cultura, usando os exemplos positivos de pessoas que alcançaram seus objetivos”.

 

 

 

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